CSN recebe multa de R$ 39 milhões do TRF-6 por demora em reduzir fatia na Usiminas
Tribunal considerou 391 dias de descumprimento do prazo para baixar fatia abaixo de 5%, em medidas acompanhadas pelo Cade; processo está em sigilo.
Uma pesquisa inédita divulgada nesta quarta-feira (20) aponta que a maioria dos moradores de grandes comunidades do Rio de Janeiro rejeita operações policiais com confronto armado nos moldes adotados atualmente nas favelas da capital fluminense. O levantamento ouviu mais de 4 mil pessoas nos complexos do Alemão, da Penha e da Maré, na zona norte, além da Rocinha, na zona sul, e revelou que nove em cada dez entrevistados reprovam ações violentas durante operações policiais.
Pesquisa aponta rejeição a operações com confronto armado em grandes favelas do Rio.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Segundo o estudo, 73% dos moradores disseram não concordar com o atual modelo de operações policiais, enquanto 92% afirmaram que as ações não deveriam ocorrer da forma como são realizadas hoje. Entre os entrevistados, 68% defendem mudanças na estratégia policial e 24% acreditam que operações em favelas não deveriam acontecer. A pesquisa também mostra que, mesmo entre aqueles que apoiam ações policiais, a maioria rejeita abusos e violência excessiva.
O levantamento foi coordenado pela diretora fundadora da Redes da Maré, Eliana Sousa Silva, e aponta que operações armadas têm provocado impactos diretos na rotina das comunidades. Restrição de circulação, invasão de domicílios, interrupção de aulas, tiroteios e medo constante aparecem entre os principais efeitos relatados pelos moradores. Em algumas regiões, escolas chegaram a ficar semanas sem funcionamento devido aos confrontos.
Outro dado destacado pela pesquisa é a percepção de ilegalidades durante as operações. Para 91% dos entrevistados, há excessos cometidos por policiais nessas ações. O estudo também apontou que 78% dos moradores afirmam sentir medo da polícia durante as operações, percentual superior até mesmo ao medo declarado em relação aos grupos armados em parte dos entrevistados.
Para 91% dos entrevistados, há excessos cometidos por policiais nessas ações.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
A pesquisa identificou ainda forte percepção de racismo nas operações policiais. Entre os entrevistados, 61% disseram acreditar que existe discriminação racial na forma como as ações são planejadas e executadas nas favelas. A rejeição às operações também foi maior entre jovens de 18 a 29 anos e entre pessoas pretas.
O estudo foi realizado por organizações comunitárias com atuação direta nas regiões pesquisadas, com apoio de universidades e entidades ligadas à segurança pública e direitos humanos. As entrevistas foram feitas presencialmente entre os dias 13 e 31 de janeiro deste ano, ouvindo 4.080 moradores de forma igualitária nas quatro comunidades.