Saída de estrangeiros em maio reduz fôlego da Bolsa e dólar volta a superar R$ 5

Retirada de recursos ocorre em meio à cautela global, volatilidade do petróleo e temor de juros altos por mais tempo, após rali no início do ano.

20/05/2026 às 19:41 por Redação Plox

A Bolsa brasileira perdeu fôlego em maio com a retirada de recursos estrangeiros, interrompendo no curto prazo parte do movimento que havia sustentado o rali do mercado acionário no início do ano. A mudança ocorre em um ambiente de maior cautela global, pressionado pelo conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã, pela volatilidade do petróleo e pelo temor de juros altos por mais tempo nas principais economias.

Levantamento publicado pela Folha

Levantamento publicado pela Folha, com base em dados da B3, aponta que o saldo dos investidores internacionais ainda é positivo em 2026, com entrada líquida acumulada de R$ 53,9 bilhões. Em maio, porém, a direção mudou: até a apuração, as vendas de ações superavam as compras em R$ 8 bilhões.

A reversão começou a aparecer ainda em abril

A reversão começou a aparecer ainda em abril. O saldo positivo do mês, que havia chegado a R$ 15,7 bilhões no dia 15, caiu para R$ 3,2 bilhões no encerramento do mês. Em maio, todos os pregões registrados até então tiveram saída líquida, com retirada média de R$ 609 milhões por dia.

O movimento contrasta

O movimento contrasta com o forte apetite visto nos primeiros meses de 2026, quando o ingresso de capital estrangeiro ajudou o Ibovespa a alcançar 198.657 pontos, patamar inédito, e contribuiu para levar o dólar a R$ 4,892. Com a piora do cenário externo, o índice passou a acumular perdas no mês, enquanto a moeda americana voltou a superar a marca de R$ 5 em sessões recentes.

A pressão também aparece nas expectativas

A pressão também aparece nas expectativas para a economia brasileira. O Relatório Focus do Banco Central, com data de referência de 15 de maio, mostrou alta na projeção do IPCA de 2026, de 4,91% para 4,92%, e elevação da estimativa para a Selic no fim do ano, de 13% para 13,25% ao ano. Em um cenário de juros mais elevados, ativos de risco tendem a perder atratividade, enquanto aplicações de renda fixa ganham força na comparação.

Depois de três sessões de queda

Depois de três sessões de queda, o mercado teve recuperação parcial nesta quarta-feira (20), com alta do Ibovespa e recuo do dólar durante o pregão. Ainda assim, o fluxo estrangeiro segue como um dos pontos de atenção para os próximos dias. A própria B3 informa que os dados de participação dos investidores e movimentação de estrangeiros são atualizados diariamente com defasagem de D+2, o que pode ajustar o tamanho das entradas ou saídas conforme novas sessões forem incorporadas.

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