Janja critica falas sobre violência de gênero e cobra contestação em programa jornalístico

Primeira-dama falou no Planalto durante cerimônia dos 100 dias do Pacto Brasil e citou checagem que apontou distorção de dados em declaração exibida na GloboNews

21/05/2026 às 08:07 por Redação Plox

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, criticou nesta quarta-feira (20), no Palácio do Planalto, declarações atribuídas ao ator Juliano Cazarré durante participação no canal GloboNews. Sem citar nominalmente o artista, ela fez a fala durante a cerimônia que marcou os 100 dias do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, em Brasília.

Janja fez menção a fala de Cazarré de 'mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres' no Brasil

Janja fez menção a fala de Cazarré de 'mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres' no Brasil

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil


Janja afirmou ser “inaceitável”

Janja afirmou ser “inaceitável” que um ator de uma grande emissora apresente, durante um programa jornalístico, informações que ela classificou como falsas sobre violência de gênero sem ser contestado. A referência foi à participação de Cazarré no “GloboNews Debate” exibido em 12 de maio, programa que tratou de educação e do papel do homem na sociedade.

mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres

Na entrevista, Cazarré afirmou que “mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres” no Brasil. O UOL Confere apontou que a declaração é falsa e que os números usados na argumentação distorcem dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e de um estudo do Ipea. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública informou à checagem que as bases citadas não permitem concluir quantos homens foram mortos por parceiras.

Durante o discurso

Durante o discurso, Janja também relacionou esse tipo de narrativa à chamada “machosfera” e a grupos conhecidos como “red pills”, associados a discursos misóginos nas redes sociais. Para a primeira-dama, conteúdos dessa natureza transformam machismo em entretenimento e “monetizam o ódio às mulheres”, com efeitos que ultrapassam o ambiente virtual.

A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. No evento, o governo apresentou medidas voltadas à proteção de mulheres no ambiente digital, incluindo regras para denúncias de conteúdo íntimo divulgado sem consentimento, preservação de provas e atuação das plataformas em casos de violência online.

No balanço dos 100 dias do pacto

No balanço dos 100 dias do pacto, a Agência Brasil informou que a Operação Mulher Segura alcançou os 27 estados e 2.615 municípios, com 6.328 prisões de agressores, 30.388 medidas protetivas acompanhadas e 38.801 vítimas atendidas. Também foi informado que, no Judiciário, 53% das decisões sobre medidas protetivas são proferidas no mesmo dia do pedido, e 90% são analisadas em até dois dias.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a