Justiça de Paris condena Air France e Airbus por homicídio culposo no caso do AF447

Decisão reverte absolvição de 2023 e fixa multa de 225 mil euros para cada empresa pela queda que matou 228 pessoas em 2009.

21/05/2026 às 09:50 por Redação Plox

O Tribunal de Apelação de Paris condenou a Air France e a Airbus por homicídios culposos no caso do voo AF447, que saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris e caiu no Oceano Atlântico em 1º de junho de 2009.

A tragédia matou as 228 pessoas a bordo e é considerada o pior acidente aéreo da história da França


Tribunal de Apelação de Paris condenou a Air France e a Airbus por homicídios culposos no caso do voo AF447

Foto: Reprodução


A decisão desta quinta-feira (21)

A decisão desta quinta-feira (21) reverte a absolvição das empresas em primeira instância, ocorrida em 2023.

O tribunal impôs multa de 225 mil euros a cada uma das companhias, valor máximo previsto para esse tipo de condenação penal na França.

O voo AF447 era operado por um Airbus A330

O voo AF447 era operado por um Airbus A330 da Air France e fazia a rota Rio de Janeiro–Paris.

A aeronave havia deixado o espaço de cobertura dos radares brasileiros quando desapareceu sobre o Atlântico.

A bordo estavam passageiros de várias nacionalidades, entre eles brasileiros, franceses e alemães.

A investigação técnica conduzida após o acidente

A investigação técnica conduzida após o acidente apontou uma sequência de falhas iniciada por inconsistências nas informações de velocidade, associadas ao congelamento dos tubos de Pitot, sensores usados para medir a velocidade da aeronave.

A partir daí, houve perda de sustentação e o avião colidiu com o mar, conforme relato técnico do Decea sobre as conclusões posteriores da apuração.

No processo penal, a discussão central

No processo penal, a discussão central era se falhas atribuídas à companhia aérea e à fabricante contribuíram para o acidente.

Em primeira instância, a Justiça francesa havia reconhecido imprudências e negligências, mas não estabeleceu nexo causal suficiente para condenação criminal.

Agora, o tribunal de apelação entendeu de forma diferente e responsabilizou penalmente as duas empresas.

Segundo a Reuters, advogados na França ainda preveem possibilidade de novos recursos à instância superior do país.

A decisão, portanto, marca um novo capítulo de uma disputa judicial que já dura 17 anos e que segue acompanhada por familiares das vítimas em busca de responsabilização pelo desastre.

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