PF recusa, por ora, delação de Daniel Vorcaro em inquérito sobre fraudes no sistema financeiro

Posição foi informada ao ministro André Mendonça, relator no STF; acordo pode ser reavaliado se houver novos elementos, enquanto a PGR analisa a proposta.

21/05/2026 às 16:03 por Redação Plox

A Polícia Federal optou por não apoiar o acordo de colaboração premiada proposto por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, nas investigações que apuram suspeitas de fraudes bilionárias no Sistema Financeiro Nacional. A posição da corporação já foi informada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do inquérito. 


Polícia Federal optou por não apoiar o acordo de colaboração premiada proposto por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


PF vê fragilidades em versão apresentada pelo ex-controlador

De acordo com fontes da PF ouvidas pela Agência Brasil, os investigadores avaliaram que as informações levadas por Vorcaro às negociações não se sustentavam. O conteúdo, segundo esses relatos, foi comparado com provas e indícios reunidos desde 2024, ano em que a apuração foi aberta a pedido do Ministério Público Federal (MPF).

A investigação teve como foco inicial a suspeita de emissão de títulos de crédito financeiro sem a cobertura necessária, ponto que motivou a instauração do procedimento.

Possibilidade de acordo segue em aberto, mas sob avaliação

Apesar da recusa da Polícia Federal em endossar a proposta neste momento, a hipótese de colaboração não foi descartada por completo. O cenário pode mudar se o investigado apresentar novos elementos que sejam considerados relevantes em tratativas futuras.

Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República ainda analisa a delação ofertada por Vorcaro, o que mantém a discussão sobre um eventual acordo em andamento.

Prisões ocorreram em fases distintas da Operação Compliance Zero

Vorcaro foi preso preventivamente em novembro de 2025, durante a primeira etapa da Operação Compliance Zero. Ele permaneceu detido por dez dias e acabou solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Mais tarde, voltou a ser preso em 4 de março deste ano, quando a terceira fase da operação avançou sobre suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.

Liquidação do banco ampliou frentes de apuração

Também em novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A partir daí, o caso passou a envolver diferentes linhas de investigação, incluindo suspeitas relacionadas a operações financeiras, possíveis vantagens indevidas e vínculos do grupo com agentes públicos — todas sob apuração das autoridades competentes.

Mudanças de custódia acompanharam o andamento das negociações

No contexto das conversas para um possível acordo, Vorcaro havia sido levado em março para uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Com o enfraquecimento das tratativas, ele foi transferido nesta semana para uma cela na própria superintendência.

Segundo o que consta no relato, ainda existe a possibilidade de que ele seja novamente removido, desta vez para a Penitenciária Federal.

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