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    Bolsonaro defende tratamento precoce, critica passaporte sanitário e diz que Brasil estava à beira do socialismo

    Em um tom forte, disse que está, desde o início de seu governo "sem casos de corrupção" — ignorando investigações, inclusive de CPIs

    Por Plox

    21/09/2021 14h07 - Atualizado há 28 dias

    BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro, em seu discurso de 12 minutos na abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York nesta terça-feira, defendeu tratamento precoce contra a Covid-19 — contrariando as orientações científicas —, criticou passaporte sanitário e diz que Brasil estava à beira do socialismo.

    Ele iniciou prometendo mostrar um país diferente "daquilo publicado em jornais ou visto em televisões". Em um tom forte, disse que está, desde o início de seu governo "sem casos de corrupção" — ignorando investigações, inclusive de CPIs — e com um presidente que acredita em Deus. Citicou países ricos por questões ambientais, defendeu o agronegócio brasileiro. Na parte da pandemia, contudo, voltou a defender o "tratamento precoce", o uso de medicamentos sem eficácia comprovada pela ciência.

     

    — Estávamos à beira do socialismo, nossas estatais davam prejuízo de bilhões de dólares, hoje são lucrativas — declarou.

    Na fala, o presidente destacou contratos fechados no setor de infraestrutura, com leilão de aeroportos e terminais portuários, além de acordos fechados para novas ferrovias.

    — Temos tudo o que o investidor procura. Um grande mercado consumidor, excelentes serviços, tradição de respeito a contratos e confiança no nosso governo — afirmou.

    Bolsonaro afirmou, ainda, que nenhum país no mundo possui uma legislação ambiental tão completa quanto a do Brasil e que o Código Florestal em vigor deve servir de exemplo para outras nações.

    — Somente no bioma amazônico, 84% da floresta está intacta, abrigando a maior biodiversidade do planeta — disse.

    Ele ressaltou que houve redução de 32% no desmatamento na Amazônia em relação ao ano passado. E convidou os presentes a visitarem a região.

    Os números do discurso de Bolsonaro são questionados. Se o desmatamento na Amazônia caiu 32% em agosto, no entanto, os números vistos entre março e junho foram os maiores já registrados. Além disso, segundo a série histórica do sistema Deter do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os dois primeiros anos do presidente no Planalto registraram os dois piores ciclos de desmatamento na Amazônia.



     

    O presidente cobrou que os países industrializados cumpram o compromisso com o financiamento do clima em volumes relevantes. Ele disse que o futuro do emprego verde está no Brasil.

    Bolsonaro afirmou que uma área equivalente a Alemanha e França juntas é destinadas às reservas indígenas, onde, segundo ele, mais de 600 mil indígenas vivem em liberdade e "cada vez mais desejam usar suas terras para a agricultura e outras atividades".

    O presidente destacou os resultados da Operação Acolhida, destinada a receber cidadãos venezuelanos em situação de vulnerabilidade, e que o Brasil está aberto para receber refugiados.

    Contrariando orientações científicas, Bolsonaro defendeu mais uma vez, como fez diversas vezes na pandemia, o tratamento precoce.

    -- Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Respeitamos a relação médico-paciente na decisão da medicação a ser utilizada e no seu uso off-label. Não entendemos porque muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos.Ele voltou a dizer que brasileiros foram "obrigados" a ficar em casa por decisão de governadores, e por isso, perderam a sua renda. Mas tentou trazer para si o mérito de ter implantado o auxílio emergencial, aprovado pelo Congresso, para amenizar a crise.

    Bolsonaro falou brevemente sobre a questão racial:

    — Ratificamos a comissão interamericana contra o racismo e formas correlatas de intolerância.

    Em seguida, falou que "temos a família tradicional como fundamento da civilização", defendendo a "liberdade de culto".

    Ao concluir, ele encerrou falando das manifestações do último 7 de setembro, marcada por posicionamentos antidemocráticos:

    -- No último 7 de setembro, data de nossa Independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas, na maior manifestação de nossa história, mostrar que não abrem mão da democracia, das liberdades individuais e de apoio ao nosso governo -- afirmou.

    O presidente Jair Bolsonaro abre nesta terça, pouco depois das 10h, a 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, mantendo a tradição dos presidentes brasileiros desde 1955. Depois de ganhar notoriedade por ser um dos únicos líderes mundiais que ainda não tomou vacina, o presidente brasileiro, pressionado, prometeu tratar em seu discurso de temas como a pandemia e o meio ambiente.

    Esta é a terceira vez que Bolsonaro participa do evento. No ano passado, com a Assembleia Geral 100% virtual por causa da pandemia, o presidente tentou se defender das críticas sobre a gestão da Covid-19 dizendo que a imprensa brasileira "politizava o vírus, disseminando o pânico entre a população". Segundo o presidente, ao defender que as pessoas ficassem em casa durante período de isolamento social, como recomendavam os especialistas de saúde, os veículos de imprensa "quase trouxeram o caos social ao país", repetindo seu discurso em eventos internos.

    Em 2019, Bolsonaro fez o seu discurso inaugural na Assembleia Geral com ataques indiretos a outros líderes internacionais, críticas a Cuba, à Venezuela, à mídia e a própria ONU, além de várias referências a um mal definido "socialismo", segundo ele uma "ideologia" que busca um "poder absoluto". O presidente reforçou temas de campanha e criticou "antecessores socialistas".

    A resposta do governo federal à pandemia de Covid-19 virou motivo de críticas dentro e fora do país: com mais de 21,2 milhões de casos registrados, o Brasil é a terceira nação do planeta com o maior número de infecções, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. No número absoluto de mortes, é o vice-líder, atrás apenas dos EUA. Desde o início da crise sanitária, já morreram mais de 590 mil brasileiros.

     

    Fonte: https://extra.globo.com/noticias/mundo/na-onu-bolsonaro-defende-tratamento-precoce-critica-passaporte-sanitario-diz-que-brasil-estava-beira-do-socialismo-25206329.html
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