Até R$ 3,1 mil por mês: americanos transformam doação de plasma em renda extra

Nos EUA, clínicas pagam por doações semanais de plasma em um procedimento de cerca de uma hora; tema repercute no Brasil em meio a debate no Senado e críticas da Hemobrás à remuneração de doadores

22/03/2026 às 13:09 por Redação Plox

Nos Estados Unidos, receber dinheiro para doar plasma — a parte líquida do sangue usada na fabricação de medicamentos — tem se consolidado como uma alternativa de renda extra. Relatos indicam que a prática, permitida no país, é usada para complementar o orçamento, inclusive entre brasileiros que vivem em território americano.

O tema também ganhou repercussão no Brasil por causa do debate sobre o uso do plasma na produção de hemoderivados

Foto: PLOX BRASIL



A possibilidade de transformar a doação em dinheiro aparece, em alguns casos, como forma de lidar com despesas do dia a dia e momentos de aperto financeiro. É nesse contexto que o tema ganhou atenção ao ser associado a valores que podem chegar a até R$ 3,1 mil por mês, conforme repercussão em torno da prática de doação remunerada.

Doação semanal e renda para reforçar o orçamento

Em reportagem publicada em fevereiro de 2024, o UOL mostrou o caso de uma pesquisadora brasileira que recorreu à venda de plasma em uma clínica, com doações semanais, para reforçar a renda enquanto permanecia nos EUA. O texto destaca que, no país, a compensação financeira pela doação de plasma é permitida e aparece como uma estratégia de sobrevivência para quem enfrenta dificuldades financeiras.

O que muda em relação à doação de sangue total

A lógica do procedimento é diferente da doação de sangue total. Na plasmaférese, o sangue é coletado por uma máquina, o plasma é separado e os demais componentes retornam ao corpo do doador.

Em artigo publicado em março de 2026, a Jovem Pan descreveu que os pagamentos costumam ser feitos por visita, frequentemente por meio de cartões pré-pagos, e que o procedimento leva cerca de uma hora. A publicação também relata que a busca por esse tipo de renda tem crescido em diferentes cidades americanas, com participação de imigrantes.

Repercussão no Brasil e debate sobre hemoderivados

O tema também ganhou repercussão no Brasil por causa do debate sobre o uso do plasma na produção de hemoderivados. Reportagem da Agência Pública, de novembro de 2023, abordou a discussão no Senado sobre mudanças na Constituição para permitir que a iniciativa privada explore o plasma humano, em um contexto de interesse econômico da indústria farmacêutica e de questionamentos sobre impactos no sistema de doação.

Posição da Hemobrás sobre remuneração de doadores

A Hemobrás, estatal responsável por processar plasma para produção de medicamentos no país, já se posicionou publicamente contra a remuneração de doadores e defende a doação voluntária e não remunerada como base do abastecimento do SUS. Em texto institucional, a empresa afirma que a doação altruísta é peça-chave para o sistema público e que propostas de comercialização do plasma podem afetar a cadeia de hemocomponentes.

Modelos distintos e um debate que segue aberto

Enquanto nos EUA a remuneração pela doação de plasma faz parte de um mercado estruturado e legalizado, no Brasil a doação de sangue é historicamente associada ao caráter voluntário. A diferença de modelos alimenta um debate que envolve, ao mesmo tempo, a necessidade de acesso a medicamentos derivados do plasma e preocupações éticas e sanitárias sobre a remuneração de doadores.

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