Caixa e Banco do Brasil iniciam financiamento com novas regras do Minha Casa, Minha Vida

Mudanças ampliam o programa para imóveis de até R$ 600 mil e famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, com possibilidade de juros abaixo do mercado

22/04/2026 às 05:56 por Redação Plox

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil começam, nesta quarta-feira (22), a financiar imóveis com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). As mudanças ampliam o alcance do programa para imóveis de até R$ 600 mil e para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.

Na prática, a atualização eleva os limites de renda e de valor dos imóveis em todas as faixas, o que pode facilitar a compra de unidades maiores ou melhor localizadas, com juros abaixo dos praticados no mercado.


Imagem ilustrativa.

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Foto: Freepik.


Novas regras devem favorecer a classe média, dizem especialistas

Especialistas consultadas pelo g1 avaliam que as mudanças tendem a beneficiar principalmente a classe média, ao permitir que uma parcela significativa volte a buscar e financiar imóveis. Até então, esse grupo enfrentava restrições maiores, diante de juros elevados e das limitações do MCMV.

Segundo o governo federal, ao menos 87,5 mil famílias brasileiras devem ser beneficiadas com taxas mais baixas.

Entenda as mudanças e como elas ampliam o acesso

1) Novos limites de renda por faixa

Os tetos de renda foram ampliados em todas as faixas do programa:

  • Faixa 1: de R$ 2.850 para até R$ 3.200
  • Faixa 2: de R$ 4.700 para até R$ 5.000
  • Faixa 3: de R$ 8.600 para até R$ 9.600
  • Faixa 4: de R$ 12.000 para até R$ 13.000

Como os juros cobrados no financiamento aumentam gradualmente conforme a faixa de renda, a ampliação dos limites favorece diretamente famílias que estavam perto dos cortes e que passam a ter acesso a taxas menores.

Um dos efeitos práticos é a mudança de enquadramento de parte das famílias para faixas com juros mais baixos.

Um exemplo citado no texto é o de quem tinha renda entre R$ 4.700,01 e R$ 5 mil: antes, esse público se enquadrava na faixa 3 e agora passa para a faixa 2, saindo de juros de 8,16% ao ano para 7% ao ano, segundo a advogada Daniele Akamine, especialista em mercado imobiliário.

Outro caso é o de quem tinha renda entre R$ 8.600,01 e R$ 9.600: o grupo antes estava na faixa 4 e passa agora para a faixa 3, com juros que eram de cerca de 10% ao ano e passam para até 8,16% ao ano.

2) Novos valores máximos dos imóveis

O valor máximo dos imóveis financiados pelo MCMV também aumentou:

  • Faixas 1 e 2: de R$ 210 mil a R$ 275 mil, a depender da localidade
  • Faixa 3: de até R$ 350 mil para até R$ 400 mil
  • Faixa 4: de até R$ 500 mil para até R$ 600 mil

Com isso, o programa passa a alcançar uma prateleira maior de imóveis, incluindo unidades maiores ou melhor localizadas. No texto, o exemplo é o da faixa 3, que ganha R$ 50 mil no teto (de R$ 350 mil para R$ 400 mil), e o da faixa 4, com acréscimo de R$ 100 mil (de R$ 500 mil para R$ 600 mil), ampliando o acesso a imóveis de padrão mais elevado.

Com o mesmo salário, é possível adquirir um imóvel melhor ou exigir uma entrada menor, já que o crédito ficou mais acessível e as taxas dentro do programa são mais baixas

Daniele Akamine

Impacto nas faixas e cenário de juros

De acordo com o governo, a atualização das faixas inclui cerca de 31,3 mil famílias na faixa 3 do programa e outras 8,2 mil na faixa 4.

A coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, Ana Maria Castelo, relaciona o movimento a um contexto mais difícil para parte da classe média fora do programa. Sem acesso ao MCMV, essas famílias enfrentaram juros elevados no financiamento imobiliário, em um período no qual a taxa básica (Selic) permaneceu na casa dos 15% durante boa parte do ano passado. O texto informa que a taxa está agora em 14,75%.

Teto do programa sobe de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano

Até abril de 2025, o MCMV alcançava, no máximo, famílias da faixa 3, com renda de até R$ 8 mil — limite ampliado para R$ 8,6 mil naquele mês. Em maio, foi criada a faixa 4, estendendo o programa a famílias com renda de até R$ 12 mil, com juros mais altos, mas ainda abaixo dos praticados no mercado.

Já as mudanças de abril de 2026 elevaram o alcance do programa para rendas de até R$ 13 mil. Com isso, o teto de acesso ao MCMV passou de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano.

Programa sustenta contratações e ganha peso na faixa 3

Ana Castelo lembra que o MCMV atingiu um novo recorde de contratações em 2025 e afirma que o programa foi determinante para o setor de construção no período. Ela também aponta que, fora do programa, a renda média sofreu com a alta das taxas de financiamento, enquanto houve bom desempenho nas pontas: no MCMV e no nicho de imóveis de alto padrão, que não depende de financiamento.

Por fim, dados do Ministério das Cidades, compilados por Ana Castelo, indicam que as contratações da faixa 3 aumentaram nos últimos anos e passaram a ter mais relevância dentro do programa.

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