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    Aborto por toxoplasmose, a “doença do gato”, é raro no fim da gravidez

    Aos 9 meses de gestação, Milena Cardoso perdeu o bebê devido a complicações da doença no domingo (19/9), em São Vicente, em São Paulo

    Por Plox

    22/09/2021 16h10 - Atualizado há cerca de 1 mês

    São Paulo – Milena Glória Cardoso, de 19 anos, perdeu o bebê aos 9 meses de gravidez devido a complicações causadas pela toxoplasmose, no domingo (19/9). Meses antes, ao começar o pré-natal com 6 semanas de gestação, a jovem passou, em 29/1, na Unidade Básica de Saúde (UBS) Esplanada dos Barreiros, em São Vicente, litoral de São Paulo, por um exame de anticorpos que detectou intensa presença de toxoplasmose.

     

    No entanto, a contaminação do bebê e da grávida não ocorre ao mesmo tempo, pois o parasita Toxoplasma gondii, causador da doença, precisa passar pela placenta para atingir o feto. Para verificar se o bebê também foi contaminado, é necessário realizar uma análise do líquido amniótico.

    A Secretaria de Saúde (Sesau) da Prefeitura de São Vicente informou que Milena se infectou antes de ficar grávida. No entanto, o exame de pesquisa de toxoplasma no líquido amniótico não foi realizado, porque “a gestante não tinha indicação”, considerando que a infecção foi anterior à gestação.

    Reprodução
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    Grávida de 9 meses, Milena Glória Cardoso perdeu o bebê por complicações da toxoplasmose

    Grávida de 9 meses, Milena Glória Cardoso perdeu o bebê por complicações da toxoplasmose Reprodução

     

     

    Milena Cardoso foi diagnosticada com toxoplasmose no pré-natal

    Milena Cardoso foi diagnosticada com toxoplasmose no pré-natalReprodução

    Milena tem 19 anos e mora em São Vicente, no Litoral de São Paulo

    Milena tem 19 anos e mora em São Vicente, no Litoral de São PauloReprodução

    Laura Mayte, a bebê de Milena, foi enterrada nesta segunda-feira (20/9)

     

    A reportagem do Metrópoles procurou Milena e familiares, que responderam não estar em condições ainda para falar sobre o ocorrido.

    Toxoplasmose na gravidez

     

     

    Segundo o diretor clínico e infectologista do Grupo Fleury, Celso Granato, a contaminação do feto por toxoplasmose é mais comum no início da gravidez – período no qual tende a prejudicar mais o bebê e causar abortos. “No primeiro trimestre é relativamente comum a toxoplasmose causar o aborto. O bebê ainda não tem a imunidade totalmente desenvolvida e pode enfrentar uma forma grave da doença”, afirma.

     

    No fim da gestação, quando a infecção atinge a criança, é mais comum que seja uma forma leve. No entanto, o infectologista ressalta que a doença pode causar abortos em qualquer fase.

     

    “A interrupção da gravidez não é comum e ocorre mais quando a infecção se deu no primeiro trimestre. De um modo geral, a perda nos demais trimestres é possível, mas menos comum. Outros fatores poderão estar associados, como comorbidades e se houve infecção fetal ou não”, explica a consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clea Bichara.

     

     

    Toxoplasmose no Brasil

    De acordo com o diretor clínico e infectologista, não é comum no Brasil grávidas terem complicações por toxoplasmose, pois cerca de 40 a 50% das mulheres já tiveram contato com o toxoplasma antes da gravidez. Essa situação reduz a possibilidade de reinfecção e de quadros mais graves.

    Por outro lado, a consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia Clea Bichara afirma que o Brasil é um dos países com a maior prevalência de toxoplasmose do mundo.

    “Às vezes as pessoas começam a se acostumar ou se esquecer dessas doenças mais tradicionais, mas infelizmente é uma coisa que a gente ainda tem. Então, é importante acompanhar de perto no pré-natal, fazer o exame na primeira consulta e repetir depois”, comenta o diretor clínico.

    Tratamento da toxoplasmose em grávidas

    Assim que a gestante recebe o diagnóstico, a gravidez passa ser considerada de risco e deve se iniciar tratamento medicamentoso para prevenir que a infecção atinja a placenta e para proteger o bebê.

     

     

     

     

    O acompanhamento inclui consultas mensais e realização de ultrassom. “No momento adequado e quando disponível, deve ser feita análise do líquido amniótico”, disse Clea.

    Prevenção para gestantes

    O maior risco para grávidas é a convivência com gatos que circulam livremente e podem caçar e comer ratos e aves, animais que também abrigam o parasita causador de toxoplasmose. Caso essa situação não possa ser evitada, a gestante deve evitar limpar a caixa de areia com fezes e urina do felino. E, por último, se essa higiene não puder ser feita por outra pessoa, a grávida deve usar máscara e luvas.

     

     

    O gado também é um animal que abriga o parasita da toxoplasmose, então outra medida importante de prevenção é não comer carnes mal passadas ou cruas. Além do cozimento, o congelamento também mata o protozoário causador doença, portanto congelar as carnes contribui para diminuir o risco de contaminação.

    Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/aborto-por-toxoplasmose-como-ocorreu-com-jovem-e-raro-no-fim-da-gravidez
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