Bolsonaro tenta blindar Flávio e conter crise após laços com banqueiro investigado
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O Supremo Tribunal Federal já registra dois votos pela manutenção das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. O ministro Luiz Fux votou neste sábado (23) acompanhando o relator André Mendonça, mas o julgamento na Segunda Turma segue suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes.
Operação Compliance Zero, da PF, prendeu pai e primo de Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução redes sociais
A análise ocorre no plenário virtual da Segunda Turma. Gilmar pediu mais tempo para examinar os casos, o que pode suspender o julgamento por até 90 dias. Enquanto não houver nova decisão, as prisões continuam mantidas. Segundo a CNN Brasil, o ministro Nunes Marques ainda não votou, e Dias Toffoli não participa da análise por ter se declarado suspeito em desdobramentos ligados ao caso.
Henrique e Felipe foram presos no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal. As apurações envolvem suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.
Felipe Cançado Vorcaro foi preso em 7 de maio. No voto, Mendonça citou elementos da investigação que apontam o empresário como integrante do chamado núcleo financeiro-operacional do grupo investigado. A Polícia Federal sustenta que ele teria assumido protagonismo em movimentações patrimoniais e societárias após a prisão de Daniel Vorcaro. A defesa nega que Felipe tenha atuado como operador financeiro do Master, de Daniel Vorcaro ou de pessoas ligadas ao banco.
Henrique Vorcaro foi preso em 14 de maio, na sexta fase da operação. De acordo com a Agência Brasil, a investigação aponta que o pai de Daniel Vorcaro teria auxiliado o filho em ações de intimidação de desafetos e na ocultação de recursos. A Folha de S.Paulo informou que, segundo a PF, ele também teria ligação com grupos chamados de “A Turma” e “Os Meninos”, apontados como estruturas usadas para intimidação, obtenção de informações sigilosas e ações digitais contra adversários.
A defesa de Henrique Vorcaro afirma que a prisão preventiva é desnecessária e que os fatos usados para sustentá-la ainda não teriam sido devidamente comprovados no processo. Já os advogados de Felipe dizem que ele está à disposição das autoridades e que prestará os esclarecimentos necessários. Os dois seguem investigados, sem condenação no caso.
Com o pedido de vista, Gilmar Mendes deverá devolver os processos para continuidade do julgamento. Até lá, permanece válida a decisão que mantém pai e primo de Daniel Vorcaro presos preventivamente, enquanto a Operação Compliance Zero segue sob apuração da Polícia Federal e sob relatoria de André Mendonça no Supremo.