Preços do pão e do café disparam em 2025 com crise no setor de panificação

Falta de mão de obra e alta nos custos de produção desafiam padarias em Minas Gerais.

24/12/2024 às 17:58 por Redação Plox

O setor de panificação em Minas Gerais inicia 2025 sob pressão, com aumentos expressivos nos preços do café e do pão francês. O café, que já acumulou uma alta de cerca de 40% em 2024, deve registrar novos aumentos, chegando a 60% até janeiro de 2025, segundo Vinicius Dantas, presidente da Amipão. A baixa produtividade e as condições climáticas adversas foram apontadas como principais fatores para a alta.

Foto: Pixabay

No caso do pão francês, a volatilidade do dólar e o aumento dos custos da farinha de trigo, principal insumo, são os grandes vilões. De acordo com Rubens Barbosa, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o Brasil enfrentou um ano desafiador em 2024, com uma produção nacional reduzida, adversidades climáticas e flutuações nas cotações internacionais. "Esses fatores, combinados com a valorização do dólar, já estão sendo refletidos nos custos dos moinhos, aumentando a pressão sobre toda a cadeia produtiva", destacou Barbosa em nota.

Vinicius Dantas também chamou a atenção para a dependência brasileira de trigo importado da Argentina, que representa cerca de 60% do consumo nacional. Com a possível entrada da China no mercado argentino, o fornecimento ao Brasil pode ser afetado, gerando ainda mais instabilidade.

Crise na mão de obra no setor
Além do impacto da inflação, as padarias enfrentam dificuldades significativas na retenção e contratação de funcionários. Conforme relatado por Dantas, os baixos salários e a concorrência de aplicativos de entrega estão entre os fatores que prejudicam o setor. "Os aplicativos tiraram muita mão de obra do setor. A CLT, infelizmente falida, precisa ser revista. Hoje um funcionário custa o dobro em encargos do que você desembolsa diretamente para ele, o que não acontece com os aplicativos", criticou.

Para tentar atrair e reter trabalhadores, o setor está revisando salários e benefícios. Os reajustes previstos são de 6% a 7%, com melhorias em planos odontológicos e ticket alimentação. "A convenção coletiva que acontece em janeiro deve trazer aumentos significativos, pois estamos perdendo muitos funcionários por baixos salários", afirmou o presidente da Amipão.

Os cargos mais afetados pela falta de profissionais são os de atendentes e padeiros, fundamentais para o funcionamento das padarias. A baixa produtividade do setor agrava o problema: cada R$ 10 mil de faturamento mensal de uma padaria pequena gera apenas um novo posto de trabalho, segundo Dantas.

Perspectivas e desafios para 2025
Diante desse cenário, os proprietários de padarias terão que lidar não apenas com a inflação e os custos crescentes de insumos, mas também com a necessidade de melhorar as condições de trabalho para garantir a continuidade das operações. A revisão da legislação trabalhista e estratégias para aumentar a competitividade do setor estão entre os desafios que exigem soluções urgentes para evitar maiores impactos nos consumidores.

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