Dólar cai a R$ 5,0008 e petróleo recua com expectativa sobre Estreito de Ormuz

Mercados acompanham negociações entre Estados Unidos e Irã; no Brasil, foco está no IPCA-15, no PIB e em duas PECs no Congresso.

25/05/2026 às 09:09 por Redação Plox

O mercado começou a segunda-feira (25) com o dólar em trajetória de baixa. Por volta das 9h05, a moeda norte-americana recuava 0,54% e era negociada a R$ 5,0008. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem abertura prevista para as 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Negociações entre EUA e Irã mexem com o petróleo e com o apetite ao risco

Do lado externo, investidores acompanham a evolução das conversas entre Estados Unidos e Irã, que alimentam a expectativa de um eventual acordo de paz e da reabertura do Estreito de Ormuz. Com essa perspectiva, o petróleo registrava forte queda nesta segunda-feira.

Por volta das 7h46, o barril do Brent cedia 5,51%, para US$ 94,69, enquanto o WTI, referência nos EUA, caía 5,81%, a US$ 90,99recuos superiores a 5% no início do dia.

No sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Washington e Teerã haviam “negociado amplamente” um entendimento para um acordo de paz que permitiria reabrir o Estreito de Ormuz. Ainda assim, permanecem divergências em pontos considerados centrais. No domingo, Trump afirmou ter orientado representantes americanos a não acelerarem as negociações neste momento.

Agenda no Brasil: inflação e PIB no radar

No cenário doméstico, a semana deve ser guiada por indicadores. A divulgação do IPCA-15 é aguardada por trazer sinais sobre o comportamento da inflação de maio. Além disso, investidores devem acompanhar o PIB do primeiro trimestre, com expectativa de que o dado indique mais um período de desaceleração econômica.

Congresso acompanha duas PECs de repercussão

O noticiário político também entra no radar do mercado. A expectativa é de que o Congresso mantenha atenção em duas propostas de emenda à Constituição: na Câmara, a PEC 221/2019, que trata da escala de trabalho 6x1; no Senado, a PEC 65/2023, que prevê autonomia financeira e orçamentária para o Banco Central.

Indicadores de desempenho: dólar e Ibovespa

Dólar: acumulava -0,77% na semana, +1,54% no mês e -8,39% no ano.

Ibovespa: registrava -0,61% na semana, -5,93% no mês e +9,36% no ano.

Oriente Médio: impasse, sinais de avanço e o Estreito de Ormuz

Na sexta-feira, os preços do petróleo haviam voltado a subir diante do impasse entre EUA e Irã nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio, apesar de novas declarações terem renovado a percepção de possível avanço.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que houve “algum progresso” nas conversas, mas reconheceu que ainda não existe um acordo. Segundo ele, a gestão de Donald Trump prefere uma saída diplomática, embora mantenha outras alternativas caso a negociação não prospere. Entre os principais pontos de atrito seguem o programa nuclear iraniano e a situação do Estreito de Ormuz.

Um conselheiro dos Emirados Árabes Unidos avaliou que ainda enxerga “50% de chance” de um entendimento entre os dois países, mas alertou para o risco de o Irã dificultar a negociação ao endurecer sua posição. Para ele, a região precisa de uma solução política para evitar uma nova escalada militar.

Também nesta manhã, a Guarda Revolucionária do Irã informou que, nas últimas 24 horas, 35 embarcações comerciais — entre petroleiros e navios de carga — cruzaram o Estreito de Ormuz com autorização iraniana.

Nos Estados Unidos, a política interna acrescentou cautela. Parlamentares adiaram uma votação que poderia aumentar a pressão sobre Trump para retirar o país da guerra.

Fed sob nova liderança: Warsh assume com promessa de reformas

Em discurso de posse na sexta-feira, Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve, afirmou que pretende liderar uma agenda “voltada para reformas” no banco central dos Estados Unidos. Ele foi indicado por Donald Trump para substituir Jerome Powell, após críticas do presidente à postura de Powell em não reduzir os juros.

Analistas, por sua vez, enxergam Warsh como um nome técnico, com histórico de atuação mais rígida no combate à inflação. A principal dúvida do mercado agora é se ele manterá juros elevados para conter os preços ou se poderá abrir espaço para cortes mais adiante — um debate que ganha peso com a pressão inflacionária associada à alta do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio.

Não olhe para mim, não olhe para ninguém, apenas faça o que tem que fazer

Donald Trump

Bolsas no exterior: alta nos EUA e avanço na Europa; Ásia reage

Em Wall Street, os índices encerraram a sessão com viés positivo: o S&P 500 subiu 0,37%, o Dow Jones avançou 0,58% e o Nasdaq ganhou 0,19%.

Na Europa, as bolsas também fecharam em alta, em meio a um ambiente mais otimista com a possibilidade de acordo entre Estados Unidos e Irã. O setor de tecnologia liderou os ganhos, sustentado pelo otimismo com inteligência artificial e pelos resultados da NVIDIA. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,22%, aos 10.466 pontos; em Frankfurt, o DAX avançou 1,15%, aos 24.888 pontos; em Paris, o CAC 40 ganhou 0,37%, aos 8.115 pontos; e, em Milão, o FTSE MIB teve alta de 0,70%, aos 49.510 pontos.

Na Ásia, mercados como o chinês fecharam em alta na sexta-feira, recuperando parte das perdas da véspera. Mesmo assim, as ações chinesas acumularam a segunda semana seguida de queda, pressionadas pela realização de lucros em empresas de tecnologia após a forte valorização associada ao avanço da inteligência artificial.

O índice de Xangai subiu 0,87%. O CSI300, que reúne as maiores companhias de Xangai e Shenzhen, avançou 1,3%, para 4.845 pontos, embora tenha encerrado a semana com queda de 0,3%. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,86%, aos 25.606 pontos, com impulso das ações de tecnologia; a Lenovo disparou 20% e atingiu o maior valor em 26 anos.

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