Moraes é citado por e-mail em ação nos EUA e tem 21 dias para responder

Justiça Federal da Flórida autorizou a citação eletrônica; decisão trata apenas do procedimento e não analisa o mérito.

25/05/2026 às 10:40 por Redação Plox

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi citado por e-mail em uma ação movida nos Estados Unidos pela plataforma Rumble e pela Trump Media & Technology Group, dona da rede social Truth Social, ligada ao presidente norte-americano Donald Trump. A comunicação foi informada pelo advogado Martin de Luca, que representa as empresas, após autorização da Justiça Federal da Flórida


Moraes tem 21 dias para responder ação da Trump Media nos EUA após citação por e-mail.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil


Prazo para resposta

De acordo com o documento divulgado pelo advogado, Moraes tem 21 dias para responder à petição inicial apresentada no tribunal norte-americano. Caso não se manifeste no prazo, as empresas poderão pedir o andamento do processo à revelia, mecanismo em que a ação pode prosseguir sem a participação da defesa. 


Rumble e a Trump Media acionaram a Justiça dos Estados Unidos em 2025 .

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil/Arquivo


A autorização para a citação eletrônica foi dada na sexta-feira (22), depois de meses de tentativa de notificação pelas vias diplomáticas previstas na Convenção da Haia, usada para a tramitação de documentos oficiais entre países. A decisão trata do procedimento de citação e não analisa o mérito das acusações feitas contra o ministro brasileiro.

Origem da ação

A Rumble e a Trump Media acionaram a Justiça dos Estados Unidos em 2025 para contestar decisões de Moraes relacionadas à remoção de perfis e conteúdos ligados a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro investigados no Brasil por disseminação de desinformação e ataques contra o STF e outras autoridades. As empresas alegam que as ordens violam a Primeira Emenda da Constituição norte-americana, que protege a liberdade de expressão.

Em fevereiro de 2025, uma juíza norte-americana já havia negado, naquele momento, um pedido emergencial das empresas contra as decisões de Moraes. Na ocasião, a magistrada avaliou que as ordens brasileiras não haviam sido formalmente notificadas às companhias segundo tratados internacionais e que o pedido era prematuro.

Disputa envolve Rumble no Brasil

A disputa ganhou força depois que Moraes determinou a suspensão da Rumble no Brasil por descumprimento de decisões judiciais, incluindo a exigência de indicar representante legal no país e cumprir ordens de bloqueio. A plataforma, por sua vez, classificou as decisões como censura extraterritorial, enquanto Moraes afirmou, em decisão citada pela Reuters, que a empresa confundia censura com proibição constitucional de discurso de ódio e atos antidemocráticos.

Até a publicação das reportagens consultadas, não havia manifestação pública de Moraes sobre a notificação por e-mail. O próximo passo processual depende da apresentação de resposta, de eventual contestação à validade da citação ou de pedido das empresas para prosseguimento do caso sem manifestação do ministro.

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