Lula se reúne com aliados para fechar proposta de fim da escala 6x1 e jornada de 40h
Reunião em Brasília mira os últimos ajustes do texto; comissão especial foi convocada para votar parecer às 17h na Câmara.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) entrou com uma ação civil pública contra a fábrica de nutrição animal Nutratta e contra o proprietário da empresa, após a morte de centenas de cavalos e o adoecimento de outros animais em diferentes estados. A medida foi protocolada na sexta-feira (22) pela Promotoria de Justiça do Consumidor.
Vários cavalos morreram após ingerirem a ração
Foto: Reprodução
No centro do processo está a suspeita de que a empresa tenha usado resíduos de soja contaminados por alcaloides pirrolizidínicos na produção de rações destinadas a equinos, bovinos, suínos e aves. As apurações citadas na ação incluem investigações, laudos laboratoriais e necropsias.
De acordo com o que consta na ação, análises apontaram a presença das substâncias tóxicas em concentrações até 2.600 vezes superiores ao limite considerado seguro para cavalos.
Procurada, a Nutratta não respondeu ao contato até a última atualização do caso.
De acordo com o Ministério Público, foi encontrado uma toxina na ração
Foto: Reprodução
Dados reunidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) registram 238 mortes confirmadas de equídeos em diferentes estados. Em um haras de Indaiatuba, no interior paulista, houve 29 mortes e cerca de 120 animais adoeceram.
O Ministério Público também cita um episódio em Atalaia (AL), onde 79 animais morreram após consumir ração da empresa. Além disso, há relatos de mortes e adoecimento em propriedades de Guarulhos, Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda e Jaboticatubas.
A ação sustenta que os efeitos do problema podem não ter ficado restritos aos animais. Segundo o MP, a mesma linha de produção era utilizada para fabricar ração bovina sem mecanismos eficazes para evitar contaminação cruzada.
Auditoras do Ministério da Agricultura apontaram o risco de transmissão desses alcaloides por meio de leite, carne e fígado de animais alimentados com produtos contaminados. Para o MP, a empresa teria desrespeitado normas sanitárias e de segurança alimentar ao empregar matéria-prima contaminada na fabricação das rações.
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, ao menos nove cavalos criados na chácara Dia de Sol, na zona rural do município, morreram em 2025 após consumir rações da Nutratta. O comerciante e criador Marcos Barbosa relatou alterações de comportamento nos animais antes das mortes.
Um cavalo passou a noite rodando em círculos numa baia e uma égua estava querendo morder a parede. Com todos os animais foi assim, é como se fosse uma demência
Marcos Barbosa
Barbosa afirmou que um representante da empresa foi até a propriedade depois das primeiras mortes, relatadas em maio do ano passado. Segundo ele, o funcionário teria assumido a responsabilidade da fábrica e informado que a empresa tomaria providências. Na ocasião, 110 sacos de ração foram confiscados, de acordo com o criador.
À época, o Mapa determinou o recolhimento de todos os produtos voltados a equídeos fabricados a partir de novembro de 2024 e proibiu a comercialização, além de abrir investigação para apurar as mortes.
Em julho de 2025, um levantamento obtido pelo g1 contabilizou 645 mortes de animais em ao menos seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Alagoas.
Segundo o Ministério da Agricultura, a ração da Nutratta foi contaminada com monocrotalina, toxina encontrada em plantas do tipo crotalária. O composto é descrito como hepatotóxico, por afetar o fígado, e neurotóxico, por atingir o sistema nervoso, podendo ser fatal para diferentes espécies, como equinos, bovinos e suínos.
Os primeiros episódios de intoxicação foram registrados em 21 de abril de 2025, no Rio de Janeiro. Já a primeira morte citada ocorreu em 23 de abril, em São Paulo. De acordo com as informações reunidas, os cavalos pareciam saudáveis e sem alterações clínicas evidentes, mas passaram a apresentar sinais neurológicos agudos, com rápida evolução para a morte.
Quando a toxina alcança o sistema nervoso, os animais podem perder o controle dos movimentos, manter a cabeça baixa e se ferir.
A veterinária Marcella Batista disse que não existe cura para a intoxicação. Ela afirmou ter perdido dois animais em menos de 30 dias; os cavalos viviam em Cabreúva, no interior de São Paulo, e consumiam a ração havia cerca de dois anos.
Há apenas tratamento de suporte com soro e antitóxicos. A intoxicação causa alteração das enzimas hepáticas e, eventualmente, sintomas neurológicos, que podem levar à eutanásia devido ao sofrimento animal
Marcella Batista
Ela também descreveu a gravidade do quadro quando os sintomas se intensificam.
Segundo Marcella, a recomendação é realizar exames das enzimas hepáticas em animais que tenham consumido a ração contaminada, para permitir o início de um tratamento de forma preventiva.