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A presença dessas palavras está ligada principalmente a línguas dos troncos banto e iorubá. No cotidiano, elas aparecem para nomear sentimentos, alimentos, relações familiares, música, comércio e expressões culturais. Cafuné, por exemplo, é associado ao gesto de carinho na cabeça; caçula identifica o filho mais novo; fubá remete à farinha de milho; e quitanda passou a designar pequeno comércio ou mercado de hortaliças.
Cafuné, quitanda e samba: a herança africana que vive no português do Brasil.
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Especialistas destacam que a influência africana no português brasileiro vai além do vocabulário. Ela também revela formas de convivência, religiosidade, musicalidade e resistência cultural. O filólogo Ricardo Cavaliere, da Academia Brasileira de Letras, aponta que muitas dessas palavras foram incorporadas ao português com adaptações de som, mantendo, em vários casos, sentidos próximos aos de origem.
Entre as línguas africanas que mais contribuíram para esse processo estão o quimbundo, o umbundo e o quicongo, associadas ao grande fluxo de africanos escravizados trazidos ao Brasil desde o período colonial. A partir do século 18, a chegada de povos iorubás ou nagôs também ampliou a presença de termos ligados à chamada “língua de santo”, comum em práticas religiosas de matriz africana.
Palavras como orixá, Ogum e babalorixá são exemplos dessa herança religiosa e cultural. Já expressões como dengo, muvuca, cambada, capanga, babá, belezéu e caçamba são apontadas por pesquisadores como marcas de línguas faladas em regiões de Angola e de outros territórios africanos que tiveram forte conexão histórica com o Brasil.
A data de 25 de maio remete à criação da Organização da Unidade Africana, em 1963, em Adis Abeba, na Etiópia. A entidade deu origem à atual União Africana, que celebra em 2026 o 63º aniversário desse marco político e histórico do continente.
No Brasil, a data também coincide com uma agenda de aproximação acadêmica. O Ministério da Educação realiza, de 25 a 27 de maio, em Brasília, o 1º Fórum de Reitores Brasil-África, voltado à cooperação entre instituições de ensino superior brasileiras e africanas.
Para pesquisadores da área, reconhecer essas palavras é também reconhecer a participação africana na construção do Brasil. A herança aparece na comida, na música, nas relações familiares, nas festas, nos terreiros, nas rodas de capoeira e na maneira como milhões de brasileiros se comunicam diariamente, muitas vezes sem perceber a origem dos termos que usam.