Lula se reúne com aliados para fechar proposta de fim da escala 6x1 e jornada de 40h
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Intitulada Magnifica Humanitas, a carta trata da “salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” e foi assinada em 15 de maio, data que marcou os 135 anos da encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII, um dos textos centrais da doutrina social da Igreja. No novo documento, Leão XIV defende uma política mais presente, capaz de “reduzir a velocidade onde tudo se acelera”, especialmente diante da concentração de dados, infraestrutura e capacidade de processamento nas mãos de poucos grupos.
Papa Leão XIV pede freio na corrida da IA e alerta para risco de guerras sem fim.
Foto: Reprodução/VATICAN NEWS
O papa afirma que a propriedade dos dados não deve ficar apenas sob controle privado e que a IA precisa ser acompanhada por regras claras, fiscalização independente, transparência e participação social. Para ele, não basta dizer que a tecnologia deve ser “ética” se os critérios dessa ética forem definidos por poucos atores econômicos e tecnológicos.
A encíclica também aponta riscos para trabalhadores, crianças e adolescentes. Leão XIV alerta que a automação e os sistemas de IA podem eliminar postos de trabalho, intensificar a precarização e submeter profissionais à vigilância automatizada. O documento defende que a inovação venha acompanhada de proteção ao emprego, qualificação e participação dos trabalhadores.
Outro ponto de preocupação é o impacto da tecnologia sobre crianças e jovens. O pontífice defende medidas legais para proteger a infância no ambiente digital, com responsabilização das plataformas e educação para que adolescentes identifiquem manipulações, preservem sua dignidade e usem as novas ferramentas de forma crítica.
O trecho mais duro do documento trata do uso militar da inteligência artificial. Leão XIV afirma que não é lícito entregar a sistemas artificiais decisões letais ou irreversíveis e diz que nenhum algoritmo pode tornar a guerra moralmente aceitável. Para o papa, a IA pode tornar conflitos mais rápidos, impessoais e fáceis de justificar, reduzindo vítimas a dados e enfraquecendo os limites éticos da violência.
A carta também critica a desinformação, a polarização e os algoritmos que favorecem o confronto. Segundo o documento, redes digitais e sistemas de IA podem multiplicar narrativas distorcidas, influenciar a opinião pública e preparar culturalmente novos conflitos. O pontífice defende diálogo, diplomacia e multilateralismo como caminhos para enfrentar crises internacionais.
A publicação da encíclica coloca o Vaticano no centro do debate mundial sobre inteligência artificial, em um momento em que governos, empresas e organizações internacionais discutem regras para sistemas cada vez mais poderosos. Na avaliação de Leão XIV, a questão não é rejeitar a tecnologia, mas impedir que ela passe a dominar decisões humanas, políticas e econômicas.
Fontes consultadas: