Atualizada em 29/04/19 para inclusão de nota do vereador mencionado na matéria
As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), que culminaram com a prisão de 7 vereadores em Ipatinga-MG, foram estendidas para as cidades vizinhas.
O delegado Gilmaro Alves e os promotores Fábio Finotti, Francisco Ângelo e Bruno Schiavo concederam entrevistas à imprensa do Vale do Aço, na tarde desta sexta-feria (26), na sede do Ministério Público.
Foto: PLOX
Ameaça de morte
Dentre vários assuntos, eles falaram das últimas prisões feitas em Ipatinga, quando o vereador Gilmar Ferreira Lopes - Gilmarzinho - do PTC, e a filha dele, foram presos.
Esse vereador teria obtido mais de R$ 300 mil com o esquema de contratar uma pessoa e obrigá-la a lhe devolver uma parte dos proventos. O promotor Bruno Schiavo mencionou o relato de uma dessas pessoas que teria acusado o vereador de ameaçá-la de morte, caso o denunciasse. “Além do percentual ser alto [que o vereador pegava de volta], a quantidade de pessoas também era muito grande, neste caso do vereador Gilmarzinho”, disse.
Foto: PLOX
“O que tem acontecido é que toda a situação que tem sido apurada tem desenrolado para uma necessidade de prisão. Então, as apurações continuam. Outros vereadores não estão imunes de serem investigados. Inclusive nós temos investigações em curso e dependendo da situação que a gente encontra nessas investigações, novas prisões, preventivas ou até temporárias, dependendo da situação, podem ser necessárias e vão ser postuladas à Justiça”, afirmou o promotor Fábio Finotti.
Foto: PLOX
Nepotismo cruzado e triangulado
A extensão das investigações do Gaeco para outras cidades, além de buscar crimes semelhantes aos praticados pelos parlamentares de Ipatinga, também apura o nepotismo.
A legislação impede que o ocupante de um mandato público contrate parentes. Mas a proximidade das quatro cidades que formam a região metropolitana do Vale do Aço facilita algumas variações, como, por exemplo, o nepotismo cruzado e o nepotismo triangulado. No primeiro, exemplificando, um vereador de Ipatinga contrata a esposa de um vereador de Coronel Fabriciano e o vereador de Fabriciano contrata a esposa, ou outro familiar, do vereador de Ipatinga. Assim, cada um pode afirmar que não contratou nenhum de seus parentes.
Os representantes do Gaeco mencionaram também o nepotismo triangulado. Esse tem um arranjo mais elaborado e pode envolver três cidades e três vereadores ou mais, por exemplo.
Assim um vereador não contrata o familiar do outro diretamente, mas uma corrente de contratações é montada para dificultar a percepção de que os cargos foram ocupados de forma fraudulenta, com o objetivo de beneficiar familiares de políticos.
Embora tenham confirmado a extensão das investigações para além do município de Ipatinga, os representantes do Gaeco não citaram os nomes dos investigados. Mas a reportagem do PLOX apurou que pelo menos três vereadores de Coronel Fabriciano estão sendo investigados. Um deles é o vereador Nélio do Abacaxi, eleito pelo PT do B.
A ramificação das investigações para além de Ipatinga pode resultar em indiciamentos nestes municípios e também de outros vereadores de Ipatinga, ainda não envolvidos nas prisões que já foram feitas.
Os representantes do GAECO comemoraram o sucesso dessa etapa da operação, que prossegue. Para eles, a região está vivendo um momento histórico.
A investigações da Operação Dolos, deflagrada em 15 de fevereiro deste ano, tem um saldo de 7 vereadores presos em Ipatinga. A operação investiga irregularidades na Câmara Municipal.
Além dos parlamentares, três assessores também estão recolhidos na penitenciária de Ipaba-MG.
Vereador Nélio do Abacaxi envia nota sobre o caso
O Vereador Nelio Silva Damasceno, conhecido como "Nélio do Abacaxi", enviou nota à redação do PLOX. No documento ele afirma que "há uma visão equivocada sobre o tema" nepotismo.
Sobre a possibilidade de ocorrência de "nepotismo cruzado", que envolveria câmaras de vereadores de cidades diferentes, tal como caracterizado pelos promotores ouvidos pelo PLOX, o vereador disse que "não existindo nepotismo em pessoas jurídicas diversas, pois são entes autônomas e totalmente independentes", afirma o parlamentar.
Nélio também defende que nepotismo não é um crime, e que se trata de "uma situação que se resolve na esfera cível e não criminal, contudo frisamos que há uma visão equivocada sobre o tema", afirma outro trecho da nota.
Veja a nota enviada, integralmente
Nota de esclarecimento:
O Vereador de Coronel Fabriciano Nélio do Abacaxi, citado em matéria publicada, esclarece que não há qualquer hipótese de nepotismo no que foi divulgado, não existindo nepotismo em pessoas jurídicas diversas, pois são entes autônomas e totalmente independentes. Sempre dei direção aos meus atos com muita humildade, em uma vida simples para cuidar da família e das pessoas. Pessoas simples quando vencem na vida incomodam muitos. Nepotismo é uma situação que se resolve na esfera cível e não criminal, contudo frisamos que há uma visão equivocada sobre o tema, porque muito se fala de nepotismo, mas pouco de estuda sobre ele. Nepotismo não é uma equação matemática onde 2 mais 2 são 4, é necessário atinar para as peculiaridades do fato concreto e vários outros requisitos para sua configuração que não se fazem presentes. Sempre pautei minha atuação parlamentar no respeito à lei e ao povo.