Vale do Aço tem explosão de casos de dengue e números deste ano superam todo 2022

Até o momento, já foram registrados 12.258 episódios confirmados, contra 1.959 registrados em todo o ano de 2022, o que significa que os casos da doença subiram cerca de 500 vezes em toda a região

Por Plox

26/05/2023 14h58 - Atualizado há 11 meses

Os números de casos de dengue em toda Minas Gerais seguem alarmantes e na Macrorregião de Saúde do Vale do Aço, que contempla 35 cidades, não é diferente. Até o momento, já foram registrados 12.258 episódios confirmados, contra 1.959 registrados em todo o ano de 2022, o que significa que os casos da doença subiram cerca de 500 vezes em toda a região. Os números foram extraídos do painel de monitoramento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Casos de dengue registrados no Vale do Aço em 2023. Foto: SES-MG/Reprodução.

 

Casos de dengue registrados em todo o ano de 2022 no Vale do Aço. Foto: SES-MG/Reprodução.

 

Esses números preocupante é um panorama do que ocorre em todo o estado mineiro, que tem registrado um aumento expressivo nas mortes decorrentes da dengue, que já contabiliza 96. A situação, classificada como epidêmica, tem assolado a população mineira de maneira contundente. 

No Vale do Aço, a apenas um registro de óbito em decorrência do vírus, registrado no município de Caratinga. No entanto, quatro mortes estão sob investigação, duas delas sendo no município de Ipatinga. As outras duas são das cidade de Bugre e Ipaba.

Ipatinga é o município com maior número de casos confirmados no Vale do Aço. Foto: SES-MG/Reprodução.

A Prefeitura de Ipatinga se manifestou a respeito das investigações de óbito com uma nota enviada à pedido da Plox.

Leia na íntegra:

A Prefeitura Municipal de Ipatinga, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, vem a público esclarecer a situação dos dois óbitos suspeitos por dengue no município e reforçar os procedimentos realizados para combater a dengue.

É importante ressaltar que, diante de qualquer ocorrência de óbito, especialmente quando há suspeita de relação com doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como a dengue, o protocolo determina que esses casos sejam devidamente investigados.

Nesse sentido, o município está seguindo todas as orientações e diretrizes estabelecidas pelos órgãos de saúde competentes. É um processo complexo e criterioso, que envolve diversos profissionais da área da saúde, a fim de garantir a precisão e a transparência nos resultados.

A investigação desses óbitos é realizada de forma minuciosa, por meio de exames laboratoriais e análise clínica, visando identificar a causa real dos falecimentos.

Ressaltamos que, até o momento, não há confirmação de que as duas ocorrências estejam relacionados à dengue ou a outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. No entanto, a Prefeitura está empenhada em adotar todas as medidas necessárias para proteger a população e controlar a proliferação do vetor.

Em relação ao combate à dengue, a Prefeitura de Ipatinga tem realizado uma série de ações e estratégias para enfrentar essa doença.

A Prefeitura reitera seu compromisso em garantir a saúde e o bem-estar da população de Ipatinga, adotando todas as medidas necessárias para enfrentar os desafios relacionados à dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Solicitamos à imprensa que transmita essas informações de forma responsável, evitando especulações que possam gerar alarmismo. Estamos à disposição para prestar esclarecimentos adicionais e atualizações sobre o caso.

 

Casos registrados em Ipaba. Foto: SES-MG/Reprodução.

 

As cinco cidades com mais casos no Vale do Aço

1- Ipatinga - 6.779 casos

2- Timóteo - 1.336 casos

3- Santana do Paraíso - 938 casos

4- Coronel Fabriciano - 837 casos

5- Ipaba - 433 casos

Sintomas

A enfermeira e referência técnica da Coordenação Estadual de Vigilância das Arboviroses, Suely Dias, explica que a dengue é uma doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, geralmente com evolução benigna, mas que pode evoluir para formas graves. “As infecções por dengue podem ser assintomáticas ou apresentar sintomas que envolvem febre (geralmente acima de 38°C, de início abrupto e duração de 2 a 7 dias), dores de cabeça e musculares, dor nas articulações e atrás dos olhos. Também podem estar presentes vômitos, diarreia e erupções cutâneas vermelhas pelo corpo”, explica.

Já a chikungunya possui fase aguda com duração de 5 a 14 dias, uma fase pós-aguda que pode durar até 3 meses e pode se tornar crônica se os sintomas persistirem após esse período. Suely detalha que, na fase aguda, há surgimento abrupto de febre alta (maior de 38,5°C), dor forte nas articulações e músculos, dor de cabeça intensa e fadiga. “As manchas vermelhas da chikungunya surgem do 2º ao 5º dia após início da febre, afetando principalmente tronco, extremidades e face. Na fase pós-aguda e crônica, quando há persistência de sintomas, eles se manifestam principalmente nas articulações, com edema e dor”, afirma.

A reportagem da Plox flagrou quintais com entulhos e pneus jogados, ambiente propício para o mosquito. Matheus Valadares/Plox.

 

A infecção pelo Zika vírus pode ser assintomática ou sintomática. A referência técnica explica que geralmente a doença é autolimitada, variando de 2 a 7 dias. Pode apresentar febre baixa (menor que 38,5°C) ou ausente, erupções cutâneas vermelhas de início precoce, conjuntivite não purulenta, dor e edema nas articulações, dor de cabeça e aumento dos linfonodos. Deve-se atentar para manifestações neurológicas.

Tratamento

Suely Dias explica que não há tratamento específico nem vacina para as infecções por estes vírus. A recomendação, em caso de sintomas, é para que o paciente procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima para avaliação. Além disso, é importante fazer repouso e cuidar da reposição de líquidos.

No caso de dengue, é extremamente importante que haja reconhecimento precoce dos sinais de alarme e gravidade. Para chikungunya, um profissional deve ser consultado para que sejam recomendados analgésicos e tratamentos não farmacológicos como fisioterapia e exercícios.

Suely também alerta que medicamentos devem ser utilizados somente com prescrição médica e para aliviar os sintomas. “Alguns medicamentos como ácido acetilsalicílico (AAS, Aspirina) e outros anti-inflamatórios não hormonais (ex.: Ibuprofeno, nimesulida, diclofenaco, etc.), podem aumentar complicações hemorrágicas, principalmente em caso de dengue, por isso não devem ser utilizados”, pontua.

É preciso de engajamento de toda sociedade para que o mosquito da dengue não se prolifere. Foto: Matheus Valadares/Plox.

 

Sequelas

As consequências mais relevantes das arboviroses a longo prazo são a cronificação, nos casos de chikungunya, e a transmissão vertical (ou seja, da mãe para o feto) da Zika, podendo levar à Síndrome Congênita associada à infecção pelo vírus.

Considera-se fase crônica de chikungunya quando os sintomas permanecem por mais de 3 meses, especialmente as dores musculares e articulares.

Na Zika congênita, fetos expostos à infecção pelo vírus durante a gestação, podem ter seu crescimento e desenvolvimento neurocognitivo comprometidos, podendo apresentar sinais clínicos como a microcefalia.

Prevenção e controle

Embora a dengue, Zika e chikungunya tenham tendência de maior concentração de casos entre os meses de janeiro e maio, em todo o Estado, é preciso reforçar que o vetor das doenças circula durante todo o ano. Por isso, os cuidados em relação ao combate aos focos do mosquito não devem cessar.

 

Caixa d'água descoberta é um dos principais pontos de procriação do Aedes Aegypti. Foto: Matheus Valadares/Plox.

 

A principal forma de prevenir a dengue e outras arboviroses (doenças causadas por vírus transmitidos, principalmente, por mosquitos) como a chikungunya, febre amarela e Zika é evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti. Dessa forma é importante tomar cuidados com criadouros e eliminar água armazenada, como em pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, vasos de plantas e, até mesmo, recipientes pequenos. É importante também trocar a água dos animais de estimação. 

Por parte da saúde estadual, as ações permanentes, adotadas para conter o avanço dos casos de dengue em Minas, vão desde a mobilização de parceiros em todo o Estado, realização de Força-Tarefa (equipe composta por agentes da Saúde Estadual e da Fundação Nacional de Saúde – Funasa) em municípios com alta incidência de pessoas com dengue e alta infestação do mosquito, campanhas educativas por meio das redes sociais, mobilização da população sobre os cuidados para evitar os focos do Aedes aegypti, até a elaboração dos Planos de Contingência Estadual e Municipais para prevenção e controle das doenças transmitidas pelo mosquito.

Entretanto, a participação da população é de fundamental importância para o controle da doença, sobretudo quando se leva em conta o fato de as residências concentrarem 80% dos focos do mosquito transmissor. Destaca-se que a inspeção na residência, com a remoção de focos com água parada, é algo que não toma muito tempo e deve ser feita rotineiramente. Como exemplo, os vasos de plantas, pneus usados como possíveis criadouros do Aedes e outros objetos e recipientes em geral que possam acumular água.

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