Brasil registra 42,6 mil homicídios em 2024 e taxa cai ao menor nível desde 2014

Atlas da Violência 2026 aponta queda de 7,4%, mas alta nas mortes violentas indeterminadas pode esconder casos fora da estatística oficial.

26/05/2026 às 10:18 por Redação Plox

O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, queda de 7,4% em relação ao ano anterior, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26). O levantamento, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta taxa oficial de 20,1 mortes por 100 mil habitantes, o menor patamar da série analisada desde 2014.

Brasília (DF) 31/12/2024 – Customização de armas de fogo e treinamento em um clube de tiro

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Foto: • Joédson Alves/Agência Brasil

Alerta nos dados

Apesar da queda, o estudo faz uma ressalva importante sobre a qualidade dos registros. Em 2024, houve aumento de 23,8% nas Mortes Violentas por Causa Indeterminada, conhecidas pela sigla MVCI. Foram 3.311 casos em que a causa ou a motivação do óbito não foi identificada de forma suficiente para classificar a morte como homicídio ou outro tipo de ocorrência.

Para os pesquisadores, parte dessas mortes pode esconder assassinatos que não entraram nas estatísticas oficiais. Por isso, o Atlas também calcula uma taxa estimada de homicídios, que chega a 23,4 mortes por 100 mil habitantes quando são considerados os chamados “homicídios ocultos”.

Estados com menores e maiores taxas

No recorte por unidades da federação, as menores taxas oficiais de homicídios foram registradas em São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal. Já os maiores índices aparecem no Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará, segundo o levantamento.

Como o levantamento é feito

O Atlas da Violência 2026 usa principalmente dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde. A publicação também analisa recortes por sexo, raça, faixa etária e grupos específicos, além de estimar casos que podem ter ficado fora da contagem oficial por falhas de classificação.

O resultado indica continuidade da tendência de queda dos homicídios no país, mas o avanço das mortes sem causa definida impõe cautela na leitura dos números. A principal conclusão do estudo é que a redução oficial deve ser acompanhada de melhora na qualidade dos registros para que o país tenha diagnóstico mais preciso sobre a violência letal.

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