Desemprego sobe a 5,8% no trimestre até fevereiro, mas segue abaixo do nível de 2025
PNAD Contínua do IBGE aponta 6,2 milhões de desocupados e atribui alta a fatores sazonais após o fim de ano; salário médio real bate recorde
27/03/2026 às 10:06por Redação Plox
27/03/2026 às 10:06
— por Redação Plox
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A taxa de desemprego no Brasil foi de 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, de acordo com a PNAD Contínua, divulgada nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado mostra alta em relação ao trimestre anterior, encerrado em novembro de 2025, quando a taxa era de 5,2%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, houve queda de 1 ponto percentual: a taxa era de 6,8%.
Carteira de trabalho
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Desocupação aumenta no início do ano, mas segue em patamar historicamente baixo
Segundo o IBGE, 6,2 milhões de pessoas buscaram trabalho sem sucesso no trimestre, 600 mil a mais do que no período encerrado em janeiro. Ainda assim, o instituto destaca que esta é a menor taxa para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica, em 2012.
O movimento de alta no começo do ano é atribuído principalmente a fatores sazonais. Após o fim do ano — quando o mercado costuma estar mais aquecido — ocorre uma redução nas contratações.
Setores como educação e saúde tendem a sentir esse efeito porque muitos trabalhadores têm contratos temporários, especialmente no setor público, que se encerram na virada do ano. O mesmo tipo de oscilação aparece em áreas como construção civil e indústria, segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE.
Atividades ligadas a edificações e reparos, tanto em imóveis residenciais quanto comerciais, costumam ganhar força no segundo semestre. Já no início do ano, período de férias, há uma retração natural, e vemos novamente esse movimento nesses segmentos
Adriana Beringuy
Salário médio volta a bater recorde e chega a R$ 3.679
O salário médio dos trabalhadores voltou a atingir recorde, com rendimento real habitual estimado em R$ 3.679. O valor representa alta de 2% em relação ao trimestre anterior e de 5,2% na comparação com um ano antes. Segundo o IBGE, o indicador voltou a alcançar patamar recorde.
Já a massa de rendimento real habitual — soma de todos os salários pagos no país — chegou a R$ 371,1 bilhões. O total ficou estável ante o trimestre anterior e aumentou 6,9% em um ano, o equivalente a R$ 24,1 bilhões.
População ocupada recua, e nível de ocupação cai para 58,4%
A população ocupada foi estimada em 102,1 milhões. Isso representa queda de 0,8% em relação ao trimestre anterior, com 874 mil pessoas a menos no mercado de trabalho.
Com isso, o nível de ocupação — parcela da população em idade de trabalhar que está empregada — ficou em 58,4%, recuo de 0,6 ponto no trimestre (59,0%). Na comparação anual, houve alta de 0,4 ponto.
A população subocupada por insuficiência de horas, formada por pessoas que trabalham menos do que gostariam, somava 4,4 milhões no trimestre encerrado em fevereiro, em quadro descrito como praticamente estável.
Fora da força de trabalho soma 66,6 milhões; desalento fica em 2,4%
A população fora da força de trabalho chegou a 66,6 milhões de pessoas. O contingente avançou 0,9% no trimestre, com acréscimo de 608 mil pessoas, e cresceu 1,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, com mais 942 mil.
Entre os que desistiram de procurar emprego, a população desalentada somava 2,7 milhões. O número ficou estável no trimestre, mas caiu 14,9% em um ano — redução equivalente a 477 mil pessoas.
A taxa de desalento ficou em 2,4%, estável no trimestre e com queda de 0,4 ponto percentual em um ano (de 2,9%).
Formalidade e informalidade: 37,5% dos ocupados estão na informalidade
No recorte por tipo de vínculo, o levantamento aponta:
Empregados no setor privado com carteira assinada (exceto domésticos): 39,2 milhões, total estável no trimestre e no ano.
Empregados sem carteira no setor privado: 13,3 milhões, também estável nas duas comparações.
Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões, estável no trimestre e alta de 3,2% em um ano (mais 798 mil pessoas).
Trabalhadores domésticos: 5,5 milhões, estável no trimestre e na comparação anual.
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores informais.
Força de trabalho permanece estável e chega a 108,4 milhões
A força de trabalho no país — que reúne pessoas ocupadas e aquelas que estão procurando emprego — somou 108,4 milhões no trimestre de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026. O total ficou estável tanto frente ao trimestre comparável anterior quanto em relação ao mesmo trimestre móvel do ano anterior.
Setores com maior avanço: administração pública e área de informação
Na comparação com o trimestre anterior, os principais movimentos por setor foram:
Informação, comunicação e atividades financeiras: alta de 4,0% (mais 504 mil pessoas).
Administração pública, educação, saúde e serviços sociais: alta de 4,5% (mais 808 mil pessoas).
Outros setores: estabilidade, sem mudanças relevantes.