Reino Unido anuncia programa para dividir com o mundo inteiro tecnologia de identificação das variantes do coronavírus

Alguns dos principais cérebros no Reino Unido agora estão disponíveis ao mundo. O governo britânico ofereceu treino e equipamentos para países sem recursos identificarem mutações de vírus

Por Plox

28/01/2021 19h39 - Atualizado há cerca de 1 mês

O Reino Unido anunciou um programa para dividir com o mundo inteiro a tecnologia de identificação das variantes do coronavírus.

Alguns dos principais cérebros no Reino Unido agora estão disponíveis ao mundo. O governo britânico ofereceu treino e equipamentos para países sem recursos identificarem mutações de vírus.

A oferta é do líder mundial. O Reino Unido fez mais da metade de todos os sequenciamentos genômicos do novo coronavírus no mundo e já investiu quase R$ 170 milhões nesse tipo de pesquisa. Cientistas conseguiram, então, verba para estudar a eficácia das vacinas com as variantes e novos tratamentos.

variantes do covid
Foto: DivulgaçãoG1

É ainda um trabalho de "detetive viral": a partir do código genético do vírus, o pesquisador consegue identificar quem é esse assassino, por onde ele andou, onde mata e os novos disfarces.

Muita gente já assistiu a algum filme sobre uma mutação terrível, que de uma hora para outra começa a matar muito mais. A evolução viral é muito mais sutil. Desde que o novo coronavírus começou a se espalhar em Wuhan, ele sofre, na média, duas mutações por semana - e a maioria é irrelevante; só que outras sim, tem a capacidade de tornar o vírus mais transmissível.

Pelo menos três variantes até agora soaram o alarme dos pesquisadores: uma no Reino Unido, outra no Brasil e uma na África do Sul. As mutações não têm relação entre si, mas conferem habilidades parecidas ao vírus. É o processo conhecido como “evolução convergente”; da mesma forma que pássaros e morcegos desenvolveram, cada um à sua maneira, asas para voar.

Apesar da liderança britânica, os cientistas do Reino Unido só notaram essas mutações no espinho do novo coronavírus depois da dica de um brasileiro. Túlio de Oliveira mora em Durban, na África do Sul.

Ele descobriu a variante depois que hospitais sul-africanos notaram um aumento estranho de internações por Covid. O professor e geneticista da Escola de Medicina Nelson Mandela sugeriu que colegas britânicos procurassem mutações numa parte específica do vírus - assim que eles encontraram outra variante.

“Foi com a investigação genômica que se identificou o vírus que causa a doença. Foi a partir do genoma que se fez o design do diagnóstico. Então é muito importante ficar seguindo essas variáveis para ter certeza que o nosso diagnóstico é efetivo. Foi com a parte do genoma que se criou as vacinas”, explicou o bioinformático Túlio de Oliveira.

O cientista brasileiro também exalta a colaboração internacional; disse que já recebeu ajuda dos britânicos. Mas muitos países ainda voam às cegas. Os Estados Unidos, por exemplo, só conduzem uma fração dos estudos genômicos necessários. O sistema de vigilância mundial também precisa de uma transformação rápida.

Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/01/27/reino-unido-anuncia-programa-para-dividir-com-o-mundo-inteiro-tecnologia-de-identificacao-das-variantes-do-coronavirus.ghtml
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