Conheça história de quem adotou um pet com necessidades especiais

28/05/2020 13:35

Encontrar um lar para pets especiais, com alguma deficiência ou complicação de saúde, é ainda mais difícil do que para outros animais. Conheça histórias de pessoas que adotaram ess

Animais especiais, aqueles com alguma deficiência ou complicação de saúde, ou mesmo já idosos, têm mais dificuldade de serem adotados do que os pets comuns. Muitos desses animais passam a vida nos abrigos de resgate, sem nunca encontrar uma família e uma casa para chamar de sua. Apesar disso, aqueles que acolheram esses bichinhos defendem a adoção acima de tudo. Para eles, tudo mudou no momento em que decidiram agregar um novo membro à família.

É o que conta a professora Rayane Santana, 25 anos, que adotou o cãozinho Bob. “Ele estava numa feirinha de adoção e todas as pessoas que passavam por ele brincavam e davam atenção, mas desistiam de adotá-lo, e ele foi ficando, enquanto os outros cachorros iam para uma nova casa. Por isso, eu e meu esposo decidimos levá-lo”, disse.

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Rayane Santana: "A gente ri muito, porque mesmo não tendo uma patinha ele corre para valer" (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

A razão que as pessoas não queriam adotar o Bob é que ele tem a pata traseira esquerda amputada. O cachorro de 8 anos foi encontrado no início de 2019, em Águas Claras, com a pata dilacerada. Os veterinários acreditam que os ferimentos foram causados por outros cães. A professora conta que, apesar do ferimento e da idade mais avançada, Bob brinca como um cachorro que tem as quatro patas, feliz da vida. “A gente ri muito, porque mesmo não tendo uma patinha ele corre para valer. A gente fala que ele é o nosso cachorro de corrida, ninguém o segura, imagina se tivesse todas as patas”, diverte-se Rayane. Para ela, adotar um cachorro adulto foi uma das melhores escolhas. Além do Bob, Rayane e o marido têm mais três cadelas, todas adotadas, a Julie, a Tiffany e a Pipoca.

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Ivanete Santos e o marido adotaram um cão cego: "Foi a melhor coisa que a gente fez" (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

O mesmo aconteceu com Gabriel, um cachorro de 2 anos adotado pela biomédica Ivanete Santos, 33. Gabriel é um cãozinho cego, resgatado à beira da morte em 2017. Foi preciso fazer uma cirurgia para retirar os olhos do animal, que estavam sendo comidos pelos bichos, conta Ivanete. Depois de ser adotado, Gabriel ainda teve que fazer um tratamento com neurologista, pois tinha convulsões, provavelmente sequelas da sua quase morte.

Agora Gabriel está saudável, e Ivanete diz que não se arrepende de tê-lo adotado. “Foi a melhor coisa que a gente fez, ele preenche a nossa casa”, conta. Apesar de não enxergar, Gabriel é muito independente, encontra os potes de ração e água sozinho e se orienta bem pela casa. “Ele é supertranquilo, se aproxima de fininho e encosta a cabeça na perna, é um doce de cachorro. Agora decidi que todos os meus próximos cachorros serão adultos e especiais, que são os inadotáveis e ficam nos abrigos por anos. Vale muito a pena tê-los na família. Muito, muito, muito”, afirmou Ivanete. Além do Gabriel, Ivanete tem a Pituca, a Buma e a Lilica.

Pandemia

Infelizmente, a pandemia do novo coronavírus aumentou o número de abandono de animais, deixando superlotados os abrigos de adoção. “Não estamos mais dando conta de resgatar os animais, está humanamente impossível. As pessoas estão com medo de que os cães e gatos transmitam coronavírus, mas abandonar os animais não resolve o problema”, diz Lucimar Aparecido, idealizadora do Projeto Acalanto. Segundo o abrigo de animais Toca Segura, desde o início do isolamento, o número de resgates de filhotes e fêmeas prenhas foi cinco vezes maior do que o normal. O mesmo relata Conceição de Maria Parente, que toca o abrigo da Ceiça. “Resgatei muitas mãezinhas com filhotes, e todos os dias recebo mais pedidos de resgate. Mas não tem o que fazer, não tenho mais espaço”, lamenta Ceiça.

Segundo Walter Ramalho, epidemiologista e professor da Universidade de Brasília (UnB), os pets não entram no grupo de transmissão do coronavírus, no entanto, ainda podem transmitir a doença por contato direto. Para evitar isso, é preciso aplicar cuidados básicos de higiene aos animais. 

“Existe muito desconhecimento, o cachorro não transmite coronavírus se você tiver cuidados de higiene, tem até produtos para higienizar as patas, isso não justifica o abandono” protesta Priscila Rodrigues, 40, moradora de Águas Claras. Para ela, tanto é assim que decidiu adotar um cachorrinho em plena pandemia. “Eu faço trabalho voluntário para ONGs e fui ajudar o Toca Segura, há duas semanas, quando vi a Luz, uma cadelinha idosa, ela se aproximou do cercadinho e parecia que ela estava me chamando, não resisti e agora vou adotar”, explica.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2020/05/28/interna_cidadesdf,858868/conheca-historia-de-quem-adotou-um-pet-com-necessidad