Longevidade vai além de viver mais: propósito, relações e alegria entram no debate sobre envelhecer bem
Especialistas reunidos em conferência on-line da Universidade Stanford destacam motivação, vínculos e “prescrição social” como parte do cuidado com pessoas idosas.
28/05/2026 às 07:23por Redação Plox
28/05/2026 às 07:23
— por Redação Plox
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A discussão sobre longevidade precisa ir além de números como expectativa de vida e tempo “sem doenças” e considerar, também, o que dá sentido ao dia a dia na velhice — como projetos, vínculos e prazer nas pequenas rotinas. Essa foi uma das mensagens destacadas na Conferência de Envelhecimento Saudável (Healthy Aging), realizada on-line neste mês pelo Programa de Medicina do Estilo de Vida da Universidade Stanford, com o tema “Purpose, Power and Play” (Propósito, Poder e Diversão).
A geriatra Louise Aronson diz que a motivação funciona como o motor que nos impulsiona.
Foto: Divulgação
Em reflexões divulgadas em coluna publicada nesta quinta-feira (28), a geriatra e professora Louise Aronson, da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), apontou a motivação como um fator que influencia diretamente a forma como pessoas idosas enfrentam tratamentos e recuperações. A médica citou exemplos de pacientes que suportam processos difíceis, como quimioterapia ou reabilitação pós-cirúrgica, por terem objetivos concretos — como participar de um casamento ou formatura de um neto.
“Prescrição social”: conexões como parte do cuidado
Na mesma discussão, Aronson mencionou um conceito cada vez mais usado na gerontologia: social prescribing (prescrição social). A ideia é que, além de intervenções clínicas e medicamentos, profissionais de saúde e redes de cuidado possam encaminhar pessoas para atividades comunitárias e grupos, promovendo autonomia, bem-estar e saúde por meio do engajamento social.
Na literatura científica, a prescrição social é descrita como um caminho em que serviços de saúde conectam pacientes a suportes não médicos — como grupos, atividades e recursos comunitários — para melhorar saúde e bem-estar, especialmente quando fatores sociais e emocionais pesam no adoecimento ou na recuperação.
Envelhecer não é sinônimo de declínio
Barbara Waxman diz que, ao chegarmos aos 60 anos, vivemos o maior senso de propósito de toda a nossa vida.
Foto: Divulgação
A conferência também trouxe a visão da gerontóloga Barbara Waxman, consultora do Stanford Center on Longevity, que defendeu que o envelhecimento não deve ser tratado automaticamente como perda. Para ela, a partir dos 60 anos muitas pessoas atingem um senso de propósito mais claro e passam a reconhecer com mais nitidez o impacto dos relacionamentos e do convívio na qualidade de vida.
Ao propor que alegria e diversão sejam levadas a sério em todas as idades, especialistas reforçam que o desafio do envelhecimento saudável envolve corpo, mente e rede social — e que medir a longevidade apenas por tempo pode ser uma visão limitada. A tendência, apontada nas falas do evento, é que ações de saúde e comunidades passem a considerar com mais força o papel dos vínculos, do pertencimento e de atividades significativas como parte da estratégia para envelhecer melhor.
As discussões ganham relevância também no Brasil, onde o tema do envelhecimento avança na agenda pública e privada: além de prevenir doenças, cresce o debate sobre como cidades, serviços e famílias podem apoiar uma velhice com mais autonomia, participação social e qualidade de vida.