Casos de câncer colorretal crescem em pessoas com menos de 50 anos e preocupam especialistas

Médico do Hospital Márcio Cunha aponta fatores como obesidade, sedentarismo e ultraprocessados; colonoscopia é principal exame, com rastreamento indicado a partir dos 45 anos.

29/05/2026 às 15:40 por Redação Plox

Casos de câncer colorretal crescem entre jovens e acendem alerta para os hábitos de vida

Release - Casos de câncer colorretal crescem entre jovens e acendem alerta para os hábitos de vida

Foto: Divulgação

Tradicionalmente ligado ao envelhecimento, o câncer colorretal — também chamado de câncer de intestino — vem aparecendo com mais frequência em pessoas com menos de 50 anos. O avanço desse tipo de diagnóstico nessa faixa etária tem preocupado especialistas e reforça a necessidade de atenção aos sinais do corpo, além da adoção de medidas de prevenção e do diagnóstico precoce.

Mudanças no estilo de vida entram no centro do debate

Para o coloproctologista do Hospital Márcio Cunha (HMC), Dr. Marcos Figueiredo Costa, o aumento é resultado de uma combinação de fatores, sem uma explicação única. Ele relaciona esse cenário a transformações observadas nas últimas décadas, como crescimento da obesidade, maior sedentarismo, expansão do consumo de ultraprocessados e um padrão alimentar com pouca fibra.

Números projetados no Brasil e impacto em Minas Gerais

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam que, no triênio de 2026 a 2028, o Brasil deve registrar mais de 53 mil novos casos por ano. Conforme a divulgação do órgão, ao desconsiderar o câncer de pele não melanoma, o câncer colorretal aparece como o segundo mais prevalente. Em Minas Gerais, a projeção mencionada no levantamento é de mais de 6 mil notificações no ano citado pelo documento.

O mesmo material também registra que, em 2023, ocorreram 23.953 óbitos por cânceres colorretais no país, dado que reforça o peso do diagnóstico precoce e da incorporação de hábitos mais saudáveis.

Microbiota intestinal ganha relevância nas pesquisas

Além das mudanças de rotina e alimentação, estudos recentes têm apontado o possível papel da microbiota intestinal — o conjunto de microrganismos presentes naturalmente no intestino — no desenvolvimento da doença. Na avaliação do especialista, a relação deixou de ser entendida apenas como coincidência estatística e passou a ser considerada parte ativa do processo.

Ele explica que a disbiose, isto é, o desequilíbrio dessa flora, pode favorecer inflamações prolongadas, estimular a produção de substâncias prejudiciais ao organismo e até provocar danos ao DNA por ação de toxinas geradas por determinadas bactérias.

Fatores associados e o peso dos ultraprocessados

Entre os pontos mais frequentemente ligados ao aumento dos casos estão obesidade, falta de atividade física, consumo recorrente de carnes processadas, ingestão excessiva de álcool, tabagismo e dietas com baixa presença de frutas, verduras, legumes e fibras. O médico destaca que muitos desses fatores podem ser evitados e, por isso, a promoção da saúde deve começar desde as fases iniciais da vida, como infância, adolescência e juventude.

Os alimentos ultraprocessados também preocupam porque costumam reunir, no mesmo padrão alimentar, diversos elementos considerados desfavoráveis: alto teor de açúcar, gorduras de baixa qualidade, sódio, aditivos químicos e calorias, além de pouca fibra. Segundo o especialista, o consumo frequente pode contribuir para ganho de peso, alterações metabólicas, inflamação crônica e mudanças na microbiota intestinal.

Obesidade, inflamação e sedentarismo: combinação que agrava o risco

Outro aspecto ressaltado pelo coloproctologista é que o tecido adiposo não se limita a armazenar energia: ele também produz hormônios e substâncias inflamatórias que podem favorecer o desenvolvimento tumoral. Nesse contexto, a falta de atividade física atua como agravante, ao facilitar o ganho de peso e piorar o perfil metabólico. Para o médico, o intestino é especialmente sensível a essa soma de fatores.

Sintomas podem ser confundidos e atrasar a investigação

Um obstáculo apontado é o diagnóstico tardio, já que sinais iniciais podem ser interpretados como problemas comuns. O especialista alerta que sangramento nas fezes, por exemplo, frequentemente é atribuído a hemorroidas, o que pode retardar a busca por avaliação adequada.

Ele também lista outros indícios que merecem atenção, sobretudo quando persistem: alteração prolongada do hábito intestinal, dor abdominal recorrente, anemia sem causa aparente, perda de peso involuntária, muco nas fezes e sensação de evacuação incompleta. O médico ressalta que nenhum desses sintomas, isoladamente, confirma a doença — mas todos justificam orientação médica, inclusive em pessoas mais jovens.

Colonoscopia segue como principal exame de prevenção e diagnóstico

Na prevenção e no rastreamento, a colonoscopia permanece como o principal recurso, permitindo identificar lesões e retirar pólipos antes que se tornem câncer. Para pessoas sem fatores de risco, a orientação apresentada é iniciar o rastreamento aos 45 anos.

Já quem tem histórico familiar de câncer colorretal, síndromes hereditárias, doenças inflamatórias intestinais ou apresenta sintomas suspeitos deve iniciar a investigação mais cedo. O especialista pontua que, diante de sintomas, o caminho não é rastreamento, mas sim investigação diagnóstica, independentemente da idade.

Hospital Márcio Cunha: estrutura e atendimento

Com mais de 60 anos de atuação, o Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade com 558 leitos e três unidades, incluindo uma voltada exclusivamente ao tratamento oncológico. A instituição atende uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e reúne cerca de 500 médicos distribuídos em 58 especialidades.

Entre os serviços oferecidos estão ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular e oncologia adulto e infantil, entre outros. No último ano citado no texto original, o hospital registrou cerca de 5.580 partos, aproximadamente 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram contabilizadas mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC foi o primeiro hospital do país a receber acreditação em nível de excelência (ONA III), concedida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). A instituição também aparece por sete anos consecutivos em ranking da revista norte-americana Newsweek entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, ocupando a 6ª posição em Minas Gerais.

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