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Casos de câncer colorretal crescem entre jovens e acendem alerta para os hábitos de vida

Foto: Divulgação
Tradicionalmente ligado ao envelhecimento, o câncer colorretal — também chamado de câncer de intestino — vem aparecendo com mais frequência em pessoas com menos de 50 anos. O avanço desse tipo de diagnóstico nessa faixa etária tem preocupado especialistas e reforça a necessidade de atenção aos sinais do corpo, além da adoção de medidas de prevenção e do diagnóstico precoce.
Para o coloproctologista do Hospital Márcio Cunha (HMC), Dr. Marcos Figueiredo Costa, o aumento é resultado de uma combinação de fatores, sem uma explicação única. Ele relaciona esse cenário a transformações observadas nas últimas décadas, como crescimento da obesidade, maior sedentarismo, expansão do consumo de ultraprocessados e um padrão alimentar com pouca fibra.
Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam que, no triênio de 2026 a 2028, o Brasil deve registrar mais de 53 mil novos casos por ano. Conforme a divulgação do órgão, ao desconsiderar o câncer de pele não melanoma, o câncer colorretal aparece como o segundo mais prevalente. Em Minas Gerais, a projeção mencionada no levantamento é de mais de 6 mil notificações no ano citado pelo documento.
O mesmo material também registra que, em 2023, ocorreram 23.953 óbitos por cânceres colorretais no país, dado que reforça o peso do diagnóstico precoce e da incorporação de hábitos mais saudáveis.
Além das mudanças de rotina e alimentação, estudos recentes têm apontado o possível papel da microbiota intestinal — o conjunto de microrganismos presentes naturalmente no intestino — no desenvolvimento da doença. Na avaliação do especialista, a relação deixou de ser entendida apenas como coincidência estatística e passou a ser considerada parte ativa do processo.
Ele explica que a disbiose, isto é, o desequilíbrio dessa flora, pode favorecer inflamações prolongadas, estimular a produção de substâncias prejudiciais ao organismo e até provocar danos ao DNA por ação de toxinas geradas por determinadas bactérias.
Entre os pontos mais frequentemente ligados ao aumento dos casos estão obesidade, falta de atividade física, consumo recorrente de carnes processadas, ingestão excessiva de álcool, tabagismo e dietas com baixa presença de frutas, verduras, legumes e fibras. O médico destaca que muitos desses fatores podem ser evitados e, por isso, a promoção da saúde deve começar desde as fases iniciais da vida, como infância, adolescência e juventude.
Os alimentos ultraprocessados também preocupam porque costumam reunir, no mesmo padrão alimentar, diversos elementos considerados desfavoráveis: alto teor de açúcar, gorduras de baixa qualidade, sódio, aditivos químicos e calorias, além de pouca fibra. Segundo o especialista, o consumo frequente pode contribuir para ganho de peso, alterações metabólicas, inflamação crônica e mudanças na microbiota intestinal.
Outro aspecto ressaltado pelo coloproctologista é que o tecido adiposo não se limita a armazenar energia: ele também produz hormônios e substâncias inflamatórias que podem favorecer o desenvolvimento tumoral. Nesse contexto, a falta de atividade física atua como agravante, ao facilitar o ganho de peso e piorar o perfil metabólico. Para o médico, o intestino é especialmente sensível a essa soma de fatores.
Um obstáculo apontado é o diagnóstico tardio, já que sinais iniciais podem ser interpretados como problemas comuns. O especialista alerta que sangramento nas fezes, por exemplo, frequentemente é atribuído a hemorroidas, o que pode retardar a busca por avaliação adequada.
Ele também lista outros indícios que merecem atenção, sobretudo quando persistem: alteração prolongada do hábito intestinal, dor abdominal recorrente, anemia sem causa aparente, perda de peso involuntária, muco nas fezes e sensação de evacuação incompleta. O médico ressalta que nenhum desses sintomas, isoladamente, confirma a doença — mas todos justificam orientação médica, inclusive em pessoas mais jovens.
Na prevenção e no rastreamento, a colonoscopia permanece como o principal recurso, permitindo identificar lesões e retirar pólipos antes que se tornem câncer. Para pessoas sem fatores de risco, a orientação apresentada é iniciar o rastreamento aos 45 anos.
Já quem tem histórico familiar de câncer colorretal, síndromes hereditárias, doenças inflamatórias intestinais ou apresenta sintomas suspeitos deve iniciar a investigação mais cedo. O especialista pontua que, diante de sintomas, o caminho não é rastreamento, mas sim investigação diagnóstica, independentemente da idade.
Com mais de 60 anos de atuação, o Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade com 558 leitos e três unidades, incluindo uma voltada exclusivamente ao tratamento oncológico. A instituição atende uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e reúne cerca de 500 médicos distribuídos em 58 especialidades.
Entre os serviços oferecidos estão ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular e oncologia adulto e infantil, entre outros. No último ano citado no texto original, o hospital registrou cerca de 5.580 partos, aproximadamente 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram contabilizadas mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O HMC foi o primeiro hospital do país a receber acreditação em nível de excelência (ONA III), concedida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). A instituição também aparece por sete anos consecutivos em ranking da revista norte-americana Newsweek entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, ocupando a 6ª posição em Minas Gerais.