Governo reage a classificação dos EUA e diz que decisão não pode virar pretexto de interferência

Celso Amorim defendeu cooperação contra o crime organizado, mas rejeitou a ideia de intervenção; medida passa a valer em 5 de junho de 2026.

29/05/2026 às 08:00 por Redação Plox

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações ligadas ao terrorismo. A manifestação mais direta partiu do assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim, que defendeu a cooperação internacional contra o crime organizado, mas rejeitou qualquer uso da medida como justificativa para interferência no Brasil.

Celso Amorim e Lula

Celso Amorim e Lula

Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Amorim afirmou que a segurança pública é essencial para o desenvolvimento social e econômico e que o crime organizado deve ser combatido. O assessor, porém, ressaltou que a colaboração entre países deve se concentrar em frentes como lavagem de dinheiro e contrabando de armas.

Pretexto para intervenção é inaceitáveldeclarou.

Decisão passa a valer em junho

O Departamento de Estado dos EUA anunciou que PCC e CV foram designados como Terroristas Globais Especialmente Designados e que serão enquadrados como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho de 2026, após publicação no Federal Register. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

No comunicado, Rubio afirmou que as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e sustentou que elas mantêm redes ilícitas além das fronteiras brasileiras. O governo Trump diz que pretende usar instrumentos legais e financeiros para cortar fontes de receita de grupos classificados por Washington como “narcoterroristas”.

Repercussão política aumenta tensão

A decisão também ampliou a tensão política no Brasil por ocorrer após agenda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Washington. O parlamentar afirmou ter pedido ao presidente Donald Trump que PCC e CV fossem tratados como organizações terroristas. Segundo a Reuters, o governo Lula vinha tentando evitar esse tipo de designação por receio de efeitos diplomáticos, sanções e eventual abertura para ações mais duras dos EUA.

A classificação tem impacto principalmente no campo financeiro e jurídico, pois pode ampliar restrições a pessoas, empresas e instituições acusadas de ligação com as facções, mesmo fora do território norte-americano. Ainda não há confirmação sobre quais medidas práticas serão adotadas pelos EUA após a entrada em vigor da designação como Organização Terrorista Estrangeira.

Combate ao crime segue como ponto central

Apesar da crítica ao enquadramento como terrorismo, o governo brasileiro afirma defender cooperação internacional contra o crime organizado. O ponto de divergência está no alcance da medida americana e no risco de que a política de segurança dos EUA para a América Latina avance sobre temas de soberania nacional.

Até a última atualização, o Itamaraty não havia divulgado uma manifestação formal detalhada sobre os próximos passos diplomáticos. A decisão, no entanto, já coloca segurança pública, política externa e combate às facções no centro da disputa entre governo e oposição.

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