Hang critica fim da escala 6x1 e diz que PEC pode provocar “quebradeira” no varejo

Dono da Havan afirma que a redução da jornada elevaria custos e poderia pressionar preços; Senado ainda analisará o texto aprovado na Câmara.

29/05/2026 às 17:35 por Redação Plox

O empresário Luciano Hang, dono da Havan, criticou a proposta que acaba com a escala 6x1 e afirmou que a mudança pode provocar uma “quebradeira” entre pequenas e médias empresas do varejo no Brasil. A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (29), após a Câmara dos Deputados aprovar a PEC que reduz a jornada semanal de trabalho.

Luciano Hang

Luciano Hang

Foto: Reprodução/Vídeo redes sociais

Crítica após avanço no Congresso

Hang disse que a medida tende a elevar custos para empresas dos setores de comércio, indústria e serviços. Segundo ele, no caso da Havan, o impacto poderia ficar entre 15% e 20%, valor que, na avaliação do empresário, acabaria sendo repassado aos preços dos produtos.

O empresário também criticou a atuação do Congresso no tema e afirmou que leis trabalhistas brasileiras seriam feitas por pessoas que “não gostam de trabalhar”. Ele ainda ironizou a possibilidade de uma escala 4x3, com quatro dias de trabalho e três de descanso, dizendo que, se a mudança for para “quebrar o Brasil”, deveria ocorrer rapidamente.

Custos, inflação e Paraguai

Na entrevista, Hang afirmou que a alta de custos poderia gerar inflação e reduzir o poder de compra dos trabalhadores. O empresário também citou uma viagem marcada ao Paraguai, onde pretende avaliar oportunidades para a Havan. Segundo ele, fornecedores e outros empresários brasileiros já têm migrado ou investido no país vizinho.

A fala ocorre em meio à reação de setores empresariais à aprovação da proposta. A Confederação Nacional da Indústria classificou a PEC como “inadequada e inoportuna” e defendeu que o Senado aprofunde o debate sobre os impactos da redução da jornada.

Texto ainda depende do Senado

A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara em dois turnos. O texto estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, em cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial. A proposta prevê transição: dois meses após a promulgação, a jornada cairia de 44 para 42 horas semanais; depois de mais 12 meses, passaria a 40 horas.

A proposta agora será analisada pelo Senado. Caso os senadores aprovem o texto sem mudanças de mérito, a emenda seguirá para promulgação pelo Congresso. Se houver alteração, a matéria volta para nova análise dos deputados.

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