Governo Lula contesta EUA por chamar PCC e Comando Vermelho de terroristas e acusa família Bolsonaro de incentivar interferência externa

Em nota, o Planalto afirmou que a definição cabe ao Brasil, citou possíveis efeitos econômicos e disse estar aberto à colaboração internacional.

29/05/2026 às 14:34 por Redação Plox

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta sexta-feira (29) à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos e afirmou que

cabe exclusivamente ao Brasil
. Em nota divulgada durante a tarde, o Planalto também fez críticas, sem citar nomes, a integrantes da família Bolsonaro, acusando-os de buscar interferência estrangeira em assuntos internos.
Marco Rubio ao lado de Flávio Bolsonaro

Marco Rubio ao lado de Flávio Bolsonaro

Foto: Reprodução/Redes Sociais/@FlavioBolsonaro


No texto, o governo sustenta que PCC e CV são tratados pelo Estado brasileiro como organizações criminosas e responsabiliza as facções por impor medo em áreas dominadas pelo tráfico de drogas e armas e por milícias. A nota, porém, diferencia esse “terror” exercido nos territórios da definição de terrorismo em âmbito internacional, argumentando que a atuação das facções é motivada principalmente por lucro, e não por razões ideológicas, políticas ou religiosas.

A reação ocorre após a medida anunciada pelo governo norte-americano, que, segundo veículos de imprensa, passa a valer a partir de 5 de junho. Reportagens publicadas nesta sexta informaram que Washington incluiu PCC e CV em listas de terrorismo e que a decisão teve impacto político no Brasil, em meio ao cenário eleitoral e ao debate sobre efeitos econômicos e financeiros de medidas unilaterais.

Na nota, o governo brasileiro ainda afirma que a segurança pública

não pode ser manipulada politicamente
e diz ser deplorável que integrantes da família Bolsonaro tenham viajado aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira. O texto também alerta para possíveis efeitos colaterais de ações não negociadas, como redução do compartilhamento de informações policiais e impactos no sistema financeiro, citando o PIX como exemplo de inovação nacional que poderia ser afetada.

Cooperação internacional e programa federal

Apesar das críticas ao enquadramento feito pelos EUA, o Planalto disse estar aberto à colaboração internacional no combate às facções e citou parcerias construídas ao longo de décadas. A nota menciona que o Brasil apresentou em 16 de abril uma proposta ao Departamento de Estado norte-americano com foco em inteligência e cooperação, incluindo medidas contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas.

O governo também reforçou ações internas de enfrentamento ao crime organizado e citou o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, lançado em maio, com foco em inteligência, integração operacional e asfixia financeira de facções e milícias. O programa foi instituído por decreto publicado em 12 de maio de 2026.

Ao final, a nota reafirma a posição de que o país rejeita interferência externa e que a soberania nacional é inegociável. Não há, até o momento, informação oficial no texto divulgado pelo Planalto sobre medidas adicionais imediatas em resposta à decisão americana, além das críticas e da defesa de cooperação negociada.

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