PEC do fim da escala 6x1 é aprovada na Câmara; veja a lista dos 22 deputados que votaram contra
Texto reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e segue agora para votação no Senado, também em dois turnos.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta sexta-feira (29) à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos e afirmou que
cabe exclusivamente ao Brasil. Em nota divulgada durante a tarde, o Planalto também fez críticas, sem citar nomes, a integrantes da família Bolsonaro, acusando-os de buscar interferência estrangeira em assuntos internos.
Marco Rubio ao lado de Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução/Redes Sociais/@FlavioBolsonaro
No texto, o governo sustenta que PCC e CV são tratados pelo Estado brasileiro como organizações criminosas e responsabiliza as facções por impor medo em áreas dominadas pelo tráfico de drogas e armas e por milícias. A nota, porém, diferencia esse “terror” exercido nos territórios da definição de terrorismo em âmbito internacional, argumentando que a atuação das facções é motivada principalmente por lucro, e não por razões ideológicas, políticas ou religiosas.
A reação ocorre após a medida anunciada pelo governo norte-americano, que, segundo veículos de imprensa, passa a valer a partir de 5 de junho. Reportagens publicadas nesta sexta informaram que Washington incluiu PCC e CV em listas de terrorismo e que a decisão teve impacto político no Brasil, em meio ao cenário eleitoral e ao debate sobre efeitos econômicos e financeiros de medidas unilaterais.
Na nota, o governo brasileiro ainda afirma que a segurança pública
não pode ser manipulada politicamentee diz ser deplorável que integrantes da família Bolsonaro tenham viajado aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira. O texto também alerta para possíveis efeitos colaterais de ações não negociadas, como redução do compartilhamento de informações policiais e impactos no sistema financeiro, citando o PIX como exemplo de inovação nacional que poderia ser afetada.
Apesar das críticas ao enquadramento feito pelos EUA, o Planalto disse estar aberto à colaboração internacional no combate às facções e citou parcerias construídas ao longo de décadas. A nota menciona que o Brasil apresentou em 16 de abril uma proposta ao Departamento de Estado norte-americano com foco em inteligência e cooperação, incluindo medidas contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas.
O governo também reforçou ações internas de enfrentamento ao crime organizado e citou o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, lançado em maio, com foco em inteligência, integração operacional e asfixia financeira de facções e milícias. O programa foi instituído por decreto publicado em 12 de maio de 2026.
Ao final, a nota reafirma a posição de que o país rejeita interferência externa e que a soberania nacional é inegociável. Não há, até o momento, informação oficial no texto divulgado pelo Planalto sobre medidas adicionais imediatas em resposta à decisão americana, além das críticas e da defesa de cooperação negociada.