Suspeito por linchamento de Fabiane Maria de Jesus foi achado “por acaso” durante ação contra tráfico em Guarujá, diz delegado

Delegado relata que moradores apontaram o suspeito antes de a polícia ter acesso às imagens; participação foi confirmada por vídeos e diligências.

30/05/2026 às 07:06 por Redação Plox

Doze anos após a morte de Fabiane Maria de Jesus, linchada no bairro Morrinhos, em Guarujá (SP), o delegado que conduziu a investigação contou que o primeiro suspeito apontado como agressor foi identificado “por acaso”, quando policiais cumpriam um mandado judicial por tráfico de drogas na mesma comunidade. A informação foi relembrada em entrevista do então responsável pelo caso, Luiz Ricardo Lara, ao podcast Baixada em Pauta, em setembro de 2025, em conteúdo divulgado pelo g1.

Há 12 anos, moradores do Guarujá, em São Paulo, espancaram e mataram Fabiane Maria de Jesus

Há 12 anos, moradores do Guarujá, em São Paulo, espancaram e mataram Fabiane Maria de Jesus

Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal


O delegado relatou que, ao chegar ao local para cumprir a ordem judicial, moradores indicaram a casa de um homem que, segundo eles, teria participado das agressões, antes mesmo de a equipe ter acesso às imagens do crime. O suspeito foi levado para a delegacia e, após a confirmação da participação a partir de vídeos e diligências, acabou preso e posteriormente condenado, ainda segundo o relato repercutido pelo g1.

A dona de casa Fabiane Maria de Jesus, casada e mãe de duas filhas, foi espancada até a morte em 2014

A dona de casa Fabiane Maria de Jesus, casada e mãe de duas filhas, foi espancada até a morte em 2014

Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal


Crime começou após boato nas redes sociais

Vídeos do linchamento de Fabiane Maria se espalharam pelas redes sociais e ajudaram a polícia a identificar os agressores

Vídeos do linchamento de Fabiane Maria se espalharam pelas redes sociais e ajudaram a polícia a identificar os agressores

Foto: Reprodução


Fabiane foi atacada em 3 de maio de 2014, depois de ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças a partir de uma publicação falsa que circulou no Facebook com um retrato falado. Ela foi amarrada e agredida por um grupo de moradores; chegou a ser socorrida, mas morreu em 5 de maio de 2014, no Hospital Santo Amaro, no próprio município, conforme reconstruções do caso publicadas por veículos nacionais à época.

A investigação apontou que o retrato falado divulgado na internet não era de Fabiane: tratava-se de uma imagem produzida em outro contexto, ligada a apuração de uma tentativa de sequestro registrada no Rio de Janeiro em 2012, o que reforçou a tese de que o linchamento foi motivado por desinformação e pela identificação equivocada feita por populares, em meio à circulação do boato.

Retrato falado elaborado em 2012 no RJ e publicado pela página Guarujá Alerta em 2014

Retrato falado elaborado em 2012 no RJ e publicado pela página Guarujá Alerta em 2014

Foto: Divulgação/ Polícia Civil


Condenações na Justiça

O caso teve desdobramentos judiciais com condenações. Em 5 de outubro de 2016, Lucas Rogério Fabrício Lopes foi condenado a 30 anos de prisão por participação no linchamento, segundo registro publicado pela Agência Brasil e reproduzido pelo UOL. Outros envolvidos também foram levados a julgamento em etapas posteriores, em decisões que marcaram a repercussão nacional do episódio e reacenderam o debate sobre responsabilidades diante da disseminação de boatos na internet.

Amigos e familiares pediram justiça durante o enterro de Fabiane Maria de Jesus, em 2014

Amigos e familiares pediram justiça durante o enterro de Fabiane Maria de Jesus, em 2014

Foto: Reprodução


Mesmo mais de uma década depois, o caso segue citado como um marco do impacto real das fake news no cotidiano, especialmente quando boatos se transformam em “justiça com as próprias mãos”.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a