Brasil empata com Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026, e desempenho preocupa
Em Nova Jersey, seleção saiu atrás com Ismael Saibari e buscou o 1 a 1 com jogada individual de Vinícius Júnior; próxima partida será contra o Haiti.
Doze anos após a morte de Fabiane Maria de Jesus, linchada no bairro Morrinhos, em Guarujá (SP), o delegado que conduziu a investigação contou que o primeiro suspeito apontado como agressor foi identificado “por acaso”, quando policiais cumpriam um mandado judicial por tráfico de drogas na mesma comunidade. A informação foi relembrada em entrevista do então responsável pelo caso, Luiz Ricardo Lara, ao podcast Baixada em Pauta, em setembro de 2025, em conteúdo divulgado pelo g1.
Há 12 anos, moradores do Guarujá, em São Paulo, espancaram e mataram Fabiane Maria de Jesus
Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal
O delegado relatou que, ao chegar ao local para cumprir a ordem judicial, moradores indicaram a casa de um homem que, segundo eles, teria participado das agressões, antes mesmo de a equipe ter acesso às imagens do crime. O suspeito foi levado para a delegacia e, após a confirmação da participação a partir de vídeos e diligências, acabou preso e posteriormente condenado, ainda segundo o relato repercutido pelo g1.
A dona de casa Fabiane Maria de Jesus, casada e mãe de duas filhas, foi espancada até a morte em 2014
Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal
Vídeos do linchamento de Fabiane Maria se espalharam pelas redes sociais e ajudaram a polícia a identificar os agressores
Foto: Reprodução
Fabiane foi atacada em 3 de maio de 2014, depois de ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças a partir de uma publicação falsa que circulou no Facebook com um retrato falado. Ela foi amarrada e agredida por um grupo de moradores; chegou a ser socorrida, mas morreu em 5 de maio de 2014, no Hospital Santo Amaro, no próprio município, conforme reconstruções do caso publicadas por veículos nacionais à época.
A investigação apontou que o retrato falado divulgado na internet não era de Fabiane: tratava-se de uma imagem produzida em outro contexto, ligada a apuração de uma tentativa de sequestro registrada no Rio de Janeiro em 2012, o que reforçou a tese de que o linchamento foi motivado por desinformação e pela identificação equivocada feita por populares, em meio à circulação do boato.
Retrato falado elaborado em 2012 no RJ e publicado pela página Guarujá Alerta em 2014
Foto: Divulgação/ Polícia Civil
O caso teve desdobramentos judiciais com condenações. Em 5 de outubro de 2016, Lucas Rogério Fabrício Lopes foi condenado a 30 anos de prisão por participação no linchamento, segundo registro publicado pela Agência Brasil e reproduzido pelo UOL. Outros envolvidos também foram levados a julgamento em etapas posteriores, em decisões que marcaram a repercussão nacional do episódio e reacenderam o debate sobre responsabilidades diante da disseminação de boatos na internet.
Amigos e familiares pediram justiça durante o enterro de Fabiane Maria de Jesus, em 2014
Foto: Reprodução
Mesmo mais de uma década depois, o caso segue citado como um marco do impacto real das fake news no cotidiano, especialmente quando boatos se transformam em “justiça com as próprias mãos”.