Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue do Butantan; duas mortes são investigadas
Medida temporária mira investigação de casos graves; pasta afirma que não há conclusão de que 42 reações adversas tenham sido causadas pelo imunizante
Uma paciente de 33 anos morreu após esperar por quase dois meses por um medicamento considerado essencial por médicos para o tratamento de leucemia, mesmo com decisão judicial determinando o fornecimento imediato e com a terapia já incorporada à política pública do Sistema Único de Saúde (SUS). O caso foi relatado em reportagem publicada neste sábado (30) e reacendeu o debate sobre atrasos na entrega de remédios oncológicos aprovados, mas que não chegam a parte dos pacientes na rede pública.
De acordo com a apuração do g1, a paciente Larissa Amorim foi intimada a aguardar o fornecimento de blinatumomabe após a União ser comunicada oficialmente em 16 de março de 2026. O medicamento, porém, não foi entregue, e Larissa morreu em 14 de maio — 59 dias depois — deixando dois filhos.
Uma paciente de 33 anos morreu após esperar por quase dois meses por um medicamento considerado essencial por médicos para o tratamento de leucemia.
Foto: Redes Sociais
A Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) informou acompanhar dezenas de situações semelhantes e protocolou representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo apuração sobre o que classifica como descumprimento estrutural da assistência farmacêutica oncológica: terapias incorporadas ao SUS seguem inacessíveis por meses — e, em alguns relatos, por anos.
A reportagem também cita casos com decisões judiciais que não teriam sido cumpridas, incluindo dificuldade de acesso a medicamentos como brentuximabe vedotina, incorporado ao SUS em 2019 para situações específicas de linfoma de Hodgkin refratário ou recidivado, conforme portaria do Ministério da Saúde.
No processo de incorporação, o reconhecimento técnico não significa, necessariamente, acesso imediato na ponta. A legislação e normas do SUS estabelecem etapas de organização da oferta (como protocolos, financiamento, compras e logística), o que, segundo entidades de pacientes, tem gerado um “vazio” entre a decisão e a entrega do tratamento.
O Tribunal de Contas da União (TCU) informou que realizou auditoria sobre o processo de incorporação de tecnologias no SUS e determinou, entre outros pontos, que o Ministério da Saúde defina responsabilidade pelo acompanhamento e controle do prazo previsto no Decreto nº 7.646/2011 para a efetiva oferta das tecnologias incorporadas ao SUS. A deliberação foi divulgada pelo TCU em 18 de março de 2026.
Em abril de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.378/2026, que institui o Estatuto dos Direitos do Paciente. Entre os direitos previstos, o texto cita o acesso a cuidados de saúde
dentro de um tempo oportunoe estabelece que a violação dos direitos previstos caracteriza situação contrária aos direitos humanos, conforme divulgado pelos canais oficiais do Congresso.
O Ministério da Saúde tem afirmado que atua para reorganizar o acesso a medicamentos contra o câncer. Em outubro de 2025, a pasta publicou a Portaria GM/MS nº 8.477, que instituiu o Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), com regras para financiamento, aquisição, distribuição e dispensação, buscando reduzir fragmentação e burocracia. No caso específico narrado pelo g1, a pasta afirmou que o blinatumomabe já é ofertado pelo SUS por Unacons e Cacons, responsáveis pela compra, mas não esclareceu por que o medicamento não chegou à paciente mesmo após decisão judicial.
O caso e as denúncias relatadas devem seguir sob análise dos órgãos de controle e fiscalização, enquanto entidades de pacientes cobram prazos e fluxos mais efetivos para que medicamentos incorporados deixem de existir apenas no papel e passem a chegar, em tempo compatível, a quem está em tratamento.